Advogado de Trump é processado por "grande mentira" sobre eleições

Rudolph Giuliani acusado de divulgar falsamente uma suposta conspiração da Dominion para conceder votos a Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro

A Dominion Voting Systems, uma das maiores fabricantes de urnas eletrónicas nos Estados Unidos, iniciou esta segunda-feira um processo contra Rudolph Giuliani, advogado do ex-presidente Donald Trump, por difamação numa campanha de desinformação sobre a eleição presidencial e exigiu uma indemnização de 1,3 mil milhões de dólares.

A ação contra o ex-prefeito de Nova York, de 76 anos, apresentada ao tribunal federal de Washington DC, acusa-o de divulgar falsamente uma suposta conspiração da Dominion para conceder votos a Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.

"Ele e os seus aliados fabricaram e disseminaram a 'Grande Mentira', que viralizou e induziu milhões de pessoas a acreditarem que a Dominion havia roubado os seus votos e manipulado a eleição", refere o processo de 107 páginas.

"Giuliani supostamente pediu 20 mil dólares por dia (da campanha de Trump) por essa 'Grande Mentira'. Ele também teria lucrado apresentando um podcast no qual espalhava mentiras sobre a eleição e vendia moedas de ouro, suplementos medicinais, charutos e proteção contra 'ladrões cibernéticos'", diz o texto.

A Dominion - que também iniciou um processo semelhante contra outro advogado aliado de Trump, Sidney Powell, exigindo 1,4 mil milhões de dólares em indemnização - lembra que mesmo após a invasão do Capitólio por apoiantes de Trump "enganados por Giuliani e os seus aliados", o ex-prefeito continuou a repetir as falsidades.

Embora as tenha divulgado no Twitter, no seu podcast, na imprensa conservadora e em audiências legislativas, absteve-se de mencionar a Dominion nas suas tentativas fracassadas de contestar os resultados em tribunais de vários estados, como Pensilvânia e Michigan.

A ação insiste que "a Dominion não foi fundada na Venezuela para favorecer Hugo Chávez nas eleições", nem tem laços com o filantropo milionário George Soros, como sugeriu Giuliani.

A empresa "foi fundada em 2002 no porão de John Poulos em Toronto para ajudar cegos a votarem em cédulas de papel" e tem sede em Denver, Colorado.

Como consequência das mentiras, o fundador da Dominion, John Poulos, e os seus funcionários foram perseguidos e ameaçados de morte, e "a empresa sofreu danos sem precedentes e irreparáveis", refere o processo.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou neste mês quatro ucranianos que colaboraram com Giuliani na tentativa de deprestigiar Biden na campanha eleitoral.

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