Exclusivo A esperança da revolução no Iémen deu lugar à guerra civil e à fome

Dez anos depois dos protestos que levaram à queda de Saleh, a guerra por procuração entre a Arábia Saudita e o Irão faz com que 83% dos iemenitas dependam de ajuda.

"Os iemenitas não estão a passar fome, estão a ser levados a morrer à fome." O alerta foi dado, no final do ano passado, pelo subsecretário-geral das Nações Unidas e responsável pela coordenação de assuntos humanitários, Mark Lochwood, lançando apelos à comunidade internacional. Há uma década, os iemenitas saíram para a rua embalados pela Primavera Árabe para derrubar o presidente Ali Abdullah Saleh. Mas a esperança na queda do regime transformou-se numa guerra civil e numa crise humanitária. Segundo a ONU, 13,5 milhões de pessoas já passam fome ou enfrentam a insegurança alimentar, podendo este número chegar aos 16 milhões (mais de metade da população) até junho.

"Durante 50 anos, houve sub-representação política, desigualdade social, pobreza, corrupção e lutas de identidade", disse à AFP Maged Al-Madhaji, que testemunhou aquela primeira manifestação dos iemenitas a pedir a saída de Saleh, a 27 de janeiro de 2011, e agora dirige o Centro de Estudos Estratégicos de Saná. "O povo só queria uma nova forma de ser governado, mas a revolução foi apropriada por partidos políticos que a corromperam", acrescentou.

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