O democrata Ro Khanna e o republicano Thomas Massie são o rosto do Congresso dos Estados Unidos na luta pela publicação de todos os ficheiros relacionados com Jeffrey Epstein e a responsabilização dos nomes envolvidos na sua rede de crimes sexuais, começando pelo esforço bipartidário que lideraram para conseguir aprovar a Lei de Transparência dos Ficheiros Epstein, legislação assinada em novembro por Donald Trump e que obrigou o Departamento de Justiça (DOJ) a tornar público o arquivo de documentos do criminoso sexual falecido em 2019. “Divulguem os ficheiros completos. Parem de proteger os predadores. Ocultem apenas os nomes das sobreviventes”, escreveu na semana passada o democrata da Califórnia no X, garantindo que ele e Massie “estão a fazer campanha pela responsabilização da classe de Epstein e da administração Epstein”, referindo-se à administração de Trump, que manteve uma relação de amizade com o criminoso sexual.Há uma semana, depois de terem consultado os documentos na íntegra, Khanna e Massie acusaram o DOJ de estar a proteger homens poderosos com censuras, pedindo que os seus nomes deixassem de estar rasurados. “O que me incomodou foram os nomes de pelo menos seis homens que foram censurados e que provavelmente estão incriminados por sua inclusão nesses arquivos”, disse Massie, de 55 anos.Os dois ameaçaram divulgar os nomes destes homens se o DOJ não cooperasse. O departamento liderado por Pam Bondi acabou por acatar alguns destes pedidos, conforme Massie anunciou nas redes sociais, mas Khanna foi mais longe e acabou por divulgar os nomes dos seis na Câmara dos Representantes - Leslie Wexner, bilionário e antigo proprietário da Victoria's Secret, o sultão Ahmed bin Sulayem, diretor executivo da DP World e entretanto demitido das suas funções, e outros quatro identificados como Salvatore Nuara, Zurab Mikeladze, Leonic Leonov e Nicola Caputo. “Aparecer nos arquivos de Epstein não prova culpa. Leslie Wexner foi designado como coconspirador de Epstein por ‘tráfico sexual infantil’ num documento do FBI de 2019, e o endereço de email do sultão foi usado para enviar correspondência sobre o ‘vídeo de tortura’. Quatro outros homens e suas fotos aparecem numa lista com Epstein, Maxwell, duas vítimas conhecidas e várias mulheres”, escreveu Massie, por seu turno, nas redes sociais. Os dois também não foram parcos em palavras quando, no último fim de semana, o DOJ anunciou que já tinha divulgado todos os documentos exigidos pela Lei de Transparência dos Ficheiros Epstein. “O problema é que o projeto de lei que Ro Khanna e eu redigimos exige a divulgação de memorandos, notas e emails internos sobre as decisões de processar ou não, investigar ou não”, notou Massie em entrevista à ABC no domingo à noite. Já Khanna, de 49 anos, acusou o Departamento de Justiça de “confundir propositadamente quem era o predador e quem era mencionado nos emails”.Esta não é a primeira batalha que estes dois travam em conjunto contra Trump. Em junho, juntaram-se para contestar os ataques dos Estados Unidos contra instalações nucleares do Irão, alegando que “não existia uma ameaça imediata” e considerando inconstitucional o facto de a Casa Branca não ter notificado o Congresso antes desta ação militar. Paralelamente, apresentaram na Câmara dos Representantes uma proposta de resolução para impedir o envolvimento dos EUA no conflito entre o Irão e Israel. Na sexta-feira, o diretor de Comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, classificou Massie e Khanna como sendo “alguns dos retardados mais idiotas que já estiveram no Congresso”, dizendo que os dois “consciente e deliberadamente arruinaram a vida de pessoas inocentes que não tinham nada a ver com Epstein”.Thomas Massie, um republicano libertário do Kentucky e congressista desde 2012, tem sido em particular um alvo das críticas de vários elementos da atual Casa Branca - Pam Bondi chamou-lhe na semana passada “político falhado” -, mas também do próprio Trump. “O perdedor 'republicano', o hipócrita congressista RINO [sigla pejorativa na política americana que significa Republicano apenas no nome] Thomas Massie, fez figura de parvo ontem, lutando sem rumo contra uma agenda sem esperança de ódio e estupidez, como ficou bem claro pela queda vertiginosa dos seus índices de aprovação no Kentucky, onde um adversário herói militar, Ed Gallrein, está a esmagá-lo nas sondagens”, escreveu o presidente dos EUA na Truth Social. Nesta publicação, Trump refere-se a Ed Gallrein, o nome que decidiu apoiar para desafiar Massie nas primárias republicanas do 4.º distrito congressional do Kentucky antes das eleições intercalares de novembro. Não só pelas atitudes de Massie em relação aos ficheiros Epstein, mas por todo o seu historial de confronto com a Casa Branca no último ano, tendo sido, por exemplo, um dos dois únicos republicanos da Câmara dos Representantes a votar contra a One Big Beautiful Bill, a lei orçamental de Trump. “A minha candidatura será um referendo sobre se é possível pertencer ao Partido Republicano em Washington, D.C., e ter uma opinião divergente da do presidente”, afirmou recentemente Massie ao New York Times. “Temos três poderes do Estado e, se o poder legislativo se tornar um mero carimbo para o presidente, então teremos um rei.”.Pam Bondi criticada após dizer que todos os ficheiros Epstein já foram publicados.Dr. Oz é o mais recente membro da administração Trump envolvido no caso Epstein