Inovação e Crescimento Empresarial

Quando atingimos o grau de maturidade empresarial suficiente para que a empresa se permita inovar, temos uma boa e uma má notícia no horizonte.
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Uma boa notícia, porque dispomos do financiamento necessário para a inovação – o que faz tudo florescer de um modo mais rápido e mais abrangente.

Uma má notícia – ou uma notícia desafiante – porque se inicia um novo ciclo de desafios. A maturidade empresarial encerra em si mesma um estágio de freios e contrapesos que nos atraem e nos retraem no caminho do sucesso. Se dentro do padrão de crescimento arriscarmos inovar, o processo torna-se ainda mais exigente.

Quando associamos inovação a crescimento empresarial, é útil que definamos, antes do mais, a que tipo de inovação nos referimos. Habitualmente, focamo-nos na mais comum inovação de produto ou de serviço. Mas há mais. Há inovações nos processos e até inovações no marketing. De um modo geral, quanto mais micro é o nível a que se orienta um projeto de inovação, mais complexa é a sua concretização. Vejamos um exemplo. Uma inovação de produto, por exemplo, é normalmente planeada no âmbito de uma equipa de projeto que prepara o lançamento do novo produto ou da nova versão de um produto já existente. Há todo um buzz de mudança que envolve a conceção, o lançamento e a motivação para a venda. Uma inovação de processo, tem contornos diferentes. Há, regra geral, uma alteração de procedimento que é comunicada aos intervenientes nas tarefas que constituem esse processo. Pressupomos que a inovação de processo é lógica e traz mais-valias. Mas é essencial que, a um nível micro, esta mudança seja comprada dessa forma pelos seus clientes internos.

Contudo, mesmo no âmbito de uma inovação de produto ou serviço, que decorra do reinvestimento resultante do crescimento empresarial, existem sempre desafios ou mesmo obstáculos à sua concretização. Quanto mais não seja, porque o líder tem de escolher qual o produto ou serviço por onde pretende enveredar, e muitos outros elementos da equipa teriam visões alternativas acerca do sentido de oportunidade do investimento.

Por isso, e como ferramenta para os gestores maduros cujo crescimento empresarial lhes permita empreender processos de inovação, destacamos três pilares base para suportar um projeto de inovação bem-sucedido: Pessoas, Processo e Valores.

Os três pilares da inovação

No primeiro pilar as Pessoas. Todos nascemos criativos e predispostos a inovar? Ou só alguns arriscam novos caminhos? Num ambiente múltiplo e diverso como uma empresa, onde há lugar para a individualidade de cada um, misturam-se inventores, criativos e adeptos de tarefas rotineiras. Ao invés de considerarmos que uns contribuem de forma positiva para o processo de inovação e outros são um obstáculo à mudança, vemos nas sinergias da equipa uma oportunidade para inovar melhor. Se é verdade que criativos e inventores são pontas de lança do processo, personalidades mais conservadoras permitem um escrutínio mais cauteloso do processo em causa. Um resumo do pilar Pessoas: todos são bem-vindos a bordo e aceites tal como podem contribuir. Mas só pode ser bem-vindo quem quiser entrar.

No segundo pilar os Processos. Inovar e crescer ao mesmo tempo não é algo linear. Passa por experimentação e por tentativa/erro. O foco está muitas vezes – ou demasiadas vezes – no objeto sobre o qual estamos a introduzir inovação, seja o lançamento de um automóvel, seja a criação de uma campanha de comunicação digital com hologramas. Mas devemos lembrar-nos que o processo de inovação é em si mesmo um processo – com tarefas, etapas, intervenientes, reports, milestones, cronogramas, etc. Sobre este pilar, dois aspetos a reter: a importância do planeamento – porque os recursos são sempre limitados face às necessidades – e a importância de conhecer ferramentas de atalho que permitam abreviar caminho em testes intermédios. Se já existe feito, compramos. Se já está testado, usamos. As condições de incerteza em que se faz acontecer inovação são inúmeras – o negócio continua com os seus problemas correntes e muitas vezes a inovação está acoplada às funções dos decisores máximos e estratégicos. Não há tempo para tudo. Só há tempo para fazer bem.

Por último, os Valores. Quando trazemos inovação a uma organização em crescimento, operamos em condições de incerteza. A inovação é, por definição, algo novo, algo nunca antes feito, logo algo cujo output é incerto. No entanto, e voltando-nos uma vez mais para o processo de inovação em si mesmo, devemos recordar-nos que inovar traz incerteza às organizações. Há alterações nas equipas, nas funções, eventualmente cargos que se extinguem e outros que se criam, formação que é necessária para treinar novas competências, etc. Em resumo: há um convite para uma saída da zona de conforto. E, tal como vimos logo no primeiro pilar Pessoas, uma empresa enriquece-se também pela diversidade de personalidades que encontra nas suas equipas. No entanto, há um denominador comum – os Valores da Cultura Organizacional – que têm de estar orientados à Inovação. Chefias intermédias motivadas e embebidas nesta cultura são uma das peças chave para o sucesso deste pilar. Por outro lado, o compromisso público da gestão de topo com a Inovação e o reconhecimento dado à equipa pela sua participação neste processo são outro elemento muito importante para que a Inovação se difunda de um modo discreto, mas profundo, na cultura da empresa.

Se aplicarmos os três pilares – Pessoas, Processos e Valores – ao próximo projeto de Inovação na nossa empresa, por certo transformaremos os desafios de inovar num ambiente de crescimento empresarial em novas oportunidades para mais projetos de inovação.

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