Fusão entre a Zon e a Optimus: as decisões dos acionistas

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Os acionistas da Zon reuniram hoje para decidir sobre o processo de fusão com a Optimus.

A fusão com a operadora da Sonaecom foi aprovada por 98,9% dos acionistas que também deram luz verde ao aumento de capital da Zon. Esta última medida também foi aprovada com 98,9% dos votos, assim como a ratificação da cooptação de Isabel dos Santos, Miguel Vieira Martins, Catarina da Luz Tavira. Foi também aprovado a futura denominação social da Zon Multimédia, para Zon Optimus SGPS.

Em assembleia geral foi ainda aprovada a concessão de poderes a "quaisquer dois membros da Comissão Executiva da Zon Multimédia" para executar as deliberações adotadas na AG.

Estas decisões estão dependentes da não oposição da Autoridade da Concorrência ao negócio e da derrogação do dever de lançamento de OPA da parte da CMVM.

16H05 - A fusão entre a Zon e a Optimus foi aprovada por 98,9% dos acionistas presentes.


Segundo Proença de Carvalho, presidente da mesa da assembleia geral, "foi uma reunião breve, pacífica" e o projeto de fusão Zon/Optimus foi "aprovado por uma maioria muito confortável, na ordem dos 99%."



15H36 - Na AG vai ainda ser decidido se os acionistas dão luz verde ao aumento de capital da Zon em virtude da fusão para 5,1 milhões de euros"

"Em cima da mesas está ainda a nomeação de dois administradores para acompanhar o processo de fusão."

15H15 - A assembleia geral de acionistas da Zon começou sem declarações à entrada da Fundação Champalimaud, onde decorre a reunião.

14H00 - A assembleia geral da da Zon já começou. Hoje a fusão entre a Zon e a Optimus dá mais um passo. E um passo decisivo para o futuro das duas empresas, com os acionistas a votarem em assembleia geral o projeto de fusão das duas operadoras.

Para 'nascer' a futura Zon Optimus SGPS terá de obter a aprovação de uma maioria de dois terços dos acionistas, que terão de votar favoravelmente à dispensa do lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição, condição colocada pela Sonaecom e Isabel dos Santos no projeto de fusão.

Isabel dos Santos, a maior acionista da Zon com 28,8%, deverá ter o apoio do BES, que controla 8,69% da dona da Zon TV Cabo. A fusão, disse recentemente Ricardo Espírito Santo, é uma "operação com interesse para a Zon e Optimus que apoiamos". E junto de outros pequenos acionistas - como a Visabeira, Joe Berardo ou o empresário João Pereira Coutinho - a junção das duas empresas tem sido vista com bons.

Ou seja, em termos de votação não são esperadas "surpresas", como admitia hoje José Pedro Pereira da Costa, administrador com o pelouro financeiro da Zon.

O que ganham as empresas com a fusão?

Com um mercado doméstico a sofrer com os efeitos da crise e da quebra de rendimento dos consumidores, a duas operadoras têm a oportunidade de criar um operador de telecomunicações com uma quota de 26% do mercado português, posicionando-se como o segundo maior operador em Portugal. A futura Zon Optimus SGPS terá um volume de negócios de 1,6 mil milhões de euros, reforçando áreas onde têm operações reduzidas. A Zon ganha um pé no mercado de

telecomunicações móveis e a Optimus reforça o negócio do fixo e da

televisão paga.Em conjunto

as empresas podem assim avançar para o mercado com uma oferta de 4P, embora a

mesma já tenha sido antecipada pela PT com o 'pacotão' M40 e a pela Vodafone que esta semana avançou com a sua oferta 4P, a Red.

Uma operação de maior escala também permite à duas empresas obter ganhos de sinergias entre 350 a 400 milhões de euros, segundo os cálculos das duas operadoras. Parte dessas sinergias serão obtidas

pelas poupanças de custos com a redução de pessoal. Lojas, marketing,

funções administrativas, mas principalmente os call centers são áreas

onde os sindicatos do sector ouvidos pelo Dinheiro Vivo mostraram

preocupação sobre o impacto da fusão, dada a natural duplicação de

funções que irá ocorrer.

Com a escala obtida em Portugal, as empresas acreditam que poderão ter recursos para "alocar à implementação de uma estratégia de internacionalização coerente e ambiciosa, com especial enfoque para os mercados que apresentam maiores taxas de crescimento". Com isso, as empresas contam criar um "operador de referência internacional, aumentando a sua visibilidade e atratividade no mercado de capitais".

Ou seja, como referia recentemente José Pedro Pereira da Costa, durante o Cable Congress, a empresa pode ir ao mercado externo obter financiamento. "Até agora temo-nos financiado de forma tradicional, junto dos bancos e

de obrigações de retalho". A fusão criará uma "dimensão

que talvez permita procurar financiamento nos mercados de obrigações

internacionais".

No mercado externo, a Optimus não tem nenhuma operação, mas a Zon há vários anos que tem em Angola uma joint venture com Isabel dos Santos na televisão paga, a Zap! Os 30% que a Zon detém na Zap! já deram em 2012 um contributo relevante para as contas da Zon: 31,6 milhões de euros. Ou seja, 3,6% dos 858,6 milhões de receitas da Zon o ano passado. Foi a única linha de receitas da operadora a crescer.

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