Não estar nas redes sociais é, hoje em dia, quase equivalente à sua empresa não ter uma loja ou um local de exposição - uma forma de chegar aos potenciais clientes. Porém, se não entregaria o atendimento da sua loja a um funcionário de mau aspecto, sem capacidades comerciais ou incapaz de usar a máquina registadora, a verdade é que ainda há muitas empresas a descurar o aspecto e o profissionalismo da sua presença online. . A academia de formação FLAG criou cursos de marketing online, mais ou menos intensivos, e convidou o Dinheiro Vivo para frequentar uma Facebook Marketing Masterclass, uma formação de oito horas ministrada por Gabriel Augusto, diretor da FLAG. . A próxima edição é em Lisboa, a 29 deste mês. . O Facebook tem quase mil milhões de utilizadores, dos quais quase meio milhão são portugueses. Ao contrário de outros meios de marketing, as ferramentas que o Facebook coloca ao dispor das empresas permitem algo valiosíssimo: o envolvimento emocional do consumidor com a marca ou a empresa. Para lá chegar, não basta criar uma página (e atenção, o perfil pessoal não é adequado a empresas) e publicitar uns produtos de vez em quando. . Há estratégia e planeamento por detrás das páginas bem geridas pelas grandes empresas. Mas qualquer empresa mais pequena pode consegui-lo igualmente e tudo começa por perceber ou definir claramente qual é o seu público-alvo e o que pretende dele. Isto vai orientar, desde logo, a categoria em que irá inserir a sua página - não onde julga enquadrar-se, mas onde o potencial cliente poderá procurar. O mesmo aplica-se ao nome da empresa ou da marca, que deverá ser escolhido com cuidado, principalmente se poder vir a ser alterado por motivos de marketing. A categoria pode ser alterada em qualquer altura, mas o nome só pode ser alterado até ter 200 seguidores. . Dois dos mais importantes campos da página são as "informações gerais" - descrição da empresa/marca onde as primeiras seis palavras contam para indexação pelos motores de busca - e a imagem de capa - aquela parte do topo, que pode e deve ser alterada frequentemente, dado que origina sempre notificação no mural dos seguidores. "A imagem de capa é a mais poderosa ferramenta de promoção ao dispor das empresas no Facebook e há marcas que a usam exemplarmente, quer para promover novos produtos, quer para dinamizar passatempos", explica Gabriel Augusto. . Já a imagem de perfil (a pequena, que surge também no topo e de cada vez que publica algum conteúdo) deve ser representativa da empresa/marca, não deve ser alterada ao longo do tempo (para criar memória ou fácil identificação) e deve ser facilmente legível em tamanho pequeno no mural. . A administração da página requer alguns cuidados e será sempre sensato ter mais do que um administrador (por exemplo, caso a sua conta seja bloqueada por algum motivo), ainda que possa atribuir níveis de responsabilidade e poderes diferentes - existem cinco - a cada um. "Tive conhecimento de uma empresa que decidiu despedir uma das pessoas que administrava a página da empresa no Facebook sem antes lhe retirar esses privilégios. Só se aperceberam quando ele já tinha eliminado todos os administradores e enchido a página de ofensas à empresa", relatou Gabriel Augusto. O dono da página poderá, por exemplo, ficar com o papel de gestor, distribuindo funções de "criador de conteúdo" ou de "moderador" a subordinados. . E chegamos à parte dos conteúdos. O que publicar? Quando? Como? Por quê? . Aplica-se a regra básica do marketing, contida no acrónimo AIDA: Attention (capazes de atrair a atenção do consumidor), Interest (capazes de criar interesse no consumidor quanto às características do produto), Desire (capazes de criar desejo) e Action (capazes de levar os consumidores a comprar). . "Os conteúdos devem ter em mente os objetivos da empresa, dirigir-se ao público-alvo e podem ser sob a forma de texto, fotografias, vídeos, marcos, links ou uma mistura destes", sintetiza o formador. E quais são mais eficazes? Bem, noutros países parece ser o vídeo o conteúdo de mais impacto junto dos consumidores, mas, em Portugal, é a fotografia ("Será porque é mais discreta de visualizar no trabalho?", questiona Gabriel Augusto). . Há uma regra sobre o que deve partilhar-se? "Curiosamente, encontrei muitas teorias sobre o post perfeito. Por exemplo, a regra «70-20-10»: devemos partilhar 70% de conteúdos próprios, que adicionem valor e criem reconhecimento da marca; 20% de informação de outras fontes; e 10% promocional. Mas a verdade é que isto não é rígido para nenhuma empresa e pode inverter-se completamente, depende da estratégia", explica Gabriel Augusto. . A qualidade conta, mas também a quantidade. O excesso de posts pode afugentar-lhe os fãs. O desequilíbrio de conteúdos, entre aquilo que os fãs consideram interessante e aquilo que será promocional, pode equiparar a página a puro spam. "Há que medir o tempo de vida dos posts e não sobrecarregar com novos posts enquanto durar o anterior. Isso também varia conforme os dias e as horas e conforme o produto. Não é fácil chegar ao ponto de equilíbrio, mas consegue-se", assegura Gabriel Augusto. . E, mesmo que tenha os melhores conteúdos do Mundo, pode faltar o mais importante. A interação. E isso também depende de um algoritmo secreto do Facebook, que vai decidir se os conteúdos da sua empresa vão aparecer nos murais de muitos ou de poucos fãs. Cada interação tem um peso nessa equação - só se sabe que a partilha vale mais do que o comentário e que este vale mais do que o «like» - e se não acarinhar este aspecto pode ver "morrer" a sua comunidade de fãs. E mais uma dica: "Nunca apague um post, porque se enganou ou tem erro ortográfico, por exemplo. Apagar um post equivale a N feedbacks negativos", alerta o especialista. . A interação do tipo certo, com viralidade dos posts da empresa por motivos positivos, pode catapultar a marca/empresa. Já um pequeno deslize a este nível pode dar origem a situações de comunicação menos abonatórias, como sucedeu recentemente com a Sumol. E não vale organizar passatempos do género "façam like, partilhem e habilitem-se ao sorteio": segundo as regras do Facebook, são proibidos passatempos cujo resultado depende de funcionalidades da rede. "Mas, como não há quem controle isso, em Portugal, lá vai passando", explica Gabriel Augusto. . O Facebook Marketing Masterclass da Academia FLAG aborda, ainda, temas como os anúncios pagos, o planeamento de publicações, a interpretação de métricas de resultados e dicas para a gestão de comentários "com bom senso". Devido à procura, o curso repete-se em setembro em Coimbra (dia 20) e no Porto (dia 21).