Estado deve manter a maioria do capital no Novo Banco

O presidente do Haitong, defendeu que o modelo de venda do Novo Banco deve ser semelhante ao da TAP e defendeu a capitalização.
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O presidente do Haitong, José Maria Ricciardi, defendeu que a melhor solução para a venda do Novo Banco é o Estado manter a maioria e vender uma participação minoritária a investidores privados, à semelhança do que foi feito na TAP.

"Não será difícil [alienar o banco] mas será com um desconto gigantesco", afirmou o presidente do ex-BESI, em declarações ao Negócios, em Nova Iorque, defendendo a necessidade de capitalização do banco.

"Para preservar o dinheiro dos contribuintes, através dos efeitos que trará para a Caixa Geral de Depósitos, e para não descapitalizar o sistema financeiro, tem de ser seguido um caminho gradual e de negociação com a União Europeia", defende.

Assim, o Fundo de Resolução pode manter-se como acionista do Novo Banco por mais tempo. O banco foi capitalizado, com 4,9 mil milhões de euros, através do Fundo de Resolução, num empréstimo financiado em 3,9 mil milhões pelo Estado.

"Acho que se tem de ir pela capitalização. Só mais tarde pela venda do capital. A capitalização com uma pequena compra do que está no Fundo de Resolução, mantendo o resto lá para ser vendido mais tarde com o Novo Banco já numa fase de rentabilidade", diz Ricciardi.

"Se o banco adquirir uma nova marca, deixar de ser de transição, um novo futuro com um, dois ou três acionistas poderosos poderá vir a valorizar muito mais a participação do Fundo de Resolução do que vender imediatamente", defende, frisando que, para o banco ficar no Estado, "tem de ser capitalizado".

"Numa comparação grosseira, um bocadinho do que se está a fazer na TAP", afirmou, referindo-se à renegociação da venda da companhia aérea quando o Executivo de António Costa entrou em funções.

Ricciardi afirmou ainda que "o Haitong Bank e outros bancos de investimento terão capacidade de apresentar investidores nesta modalidade" de aumento de capital.

"Nós temos contactos com investidores que poderão estar interessados numa solução destas", contando o ex-BESI com demonstrações fortes" da intenção de serem adquiridas "participações importantes no Novo Banco", embora minoritários. Os interessados, contudo, querem ir apenas ao aumento de capital e não à venda direta.

O processo de venda do Novo Banco foi relançado e conta com seis interessados conhecidos, que pediram acesso ao 'data room' onde estão as informações do banco. BCP, BPI, Santander, o fundo Apollo e outros dois fundos estão a analisar esta documentação.

O objetivo é o processo estar concluído em agosto. Até ao final do mês o Banco de Portugal vai decidir o modelo de venda, se venda direta ou dispersão em bolsa, tendo em conta as demonstrações de interesse dos potenciais candidatos.

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