VIH Desafios do Século XXI: o estigma

Amílcar Soares, da Associação Positivo, fala sobre o estigma da sociedade em relação aos portadores de VIH: em Portugal, tem vindo a desaparecer, mas ainda se mantém em alguns meios.

Desde 1993 que a Associação Positivo serve de apoio para as pessoas seropositivas e seus familiares. O seu principal objetivo é assegurar o respeito integral dos direitos humanos das pessoas que vivem com o VIH/SIDA, fornecendo serviços médicos, psicológicos, psiquiátricos, sociais, jurídicos e de animação sociocultural para pessoas infetadas e afetadas pelo VIH, com o intuito de proporcionar uma melhor qualidade de vida. O acompanhamento que a Associação Positivo presta permite ter um quadro completo da vida do seropositivo - e perceber, assim, que em algumas áreas da sociedade o estigma ainda continua.

Verificam-se, a título de exemplo, casos de doentes que, após a confirmação do diagnóstico, preferem demitir-se do emprego a revelar serem portadores do vírus, junto da entidade patronal. Muitos são os casos, conhecidos do público em geral, de seropositivos que sofrem descriminação, especialmente no meio laboral - pelo que, há portadores de VIH que optam por não se expor e afastar-se. Outros procuram guardar a doença em privado: a Associação Positivo recebe várias chamadas de pessoas portadoras de VIH que perguntam como evitar que o médico da empresa faça análises ao sangue e comunique a presença do vírus à entidade patronal. Muitas pessoas não sabem, também, que a maioria das empresas só solicitam as análises habituais, que não incluem o despiste do VIH ou outras Infeções Sexualmente Transmissíveis - mas têm medo, sobretudo que a descoberta da doença leve ao despedimento.

O que é facto é que o preconceito persiste, nos dias de hoje, no meio laboral. Por isso, acabar com as ideias pré-concebidas e a descriminação é um dos objetivos da Associação Positivo: chegam muitas vezes e-mails e telefonemas de empresas, especialmente dos ramos da hotelaria e da restauração, sobre eventuais riscos de ter, por exemplo, cozinheiros, infetados com o vírus VIH. A Associação disponibiliza-se para tirar todas as dúvidas sobre o tema e envia informação à empresa, de forma a proteger o emprego da pessoa infetada com VIH e dissipar mitos de contágio que continuam a existir - e sabe-se que, na maior parte dos casos, as pessoas conseguem manter os seus empregos. Mas continuam a existir situações em que a revelação do vírus conduz ao despedimento, por falta de informação ou preconceito das empresas.

Por exemplo, há 16 anos, a Associação Positivo apoiou um caso muito mediático: um cozinheiro que perdeu, em tribunal, contra a empresa que o despediu após ter conhecido a sua condição. Estava em causa se, através de tosse ou de uma ferida na boca, um prato podia ser portador do vírus: algo que imunologistas e especialistas que a Associação levou a testemunhar explicaram não constituir risco de contágio, já que os alimentos são cozinhados em temperaturas muito elevadas - mas o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu em favor da empresa.

Porém, no que se refere à sociedade portuguesa no geral, o preconceito tem vindo a desaparecer e a pessoas estão melhor informadas. A Associação Positivo desenvolve, junto de empresas e escolas, ações de sensibilização que têm servido para desmistificar ideias e contribuir para um melhor entendimento do vírus e das formas de contágio. Um caminho a percorrer todos os dias, pelo fim da descriminação e do estigma em relação aos portadores de VIH.

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