Cada euro investido em ensaios clínicos gera 1,99€ na economia nacional

Reforçar a capacidade de investigação clínica em Portugal é essencial para que o país<br/> seja mais atrativo para receber ensaios clínicos e contribuir para o desenvolvimento de<br/> medicamentos inovadores, com impacto positivo na saúde da população e na redução<br/> dos custos com a doença no Serviço Nacional de Saúde. A visão de um investigador e de<br/> uma das responsáveis pela dinamização da cultura de I&D clínica e científica em<br/> território nacional, para ver e ouvir em mais um episódio da série de Podcasts<br/> "Diálogos: Saúde e Futuro", esta terça-feira, no site do DN.
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Portugal tem condições para se tornar uma referência internacional na investigação clínica graças ao elevado nível de conhecimento e de preparação dos investigadores. A conclusão é de um estudo da PwC, realizado para a Apifarma em 2019.

No entanto, o mesmo relatório revela também quais as principais barreiras que estão a impor a perda de competitividade nos últimos anos. Entre elas destacam-se questões organizacionais e de infraestruturas, a falta de valorização da investigação clínica pelas administrações hospitalares, a reduzida autonomia para a contratação de recursos humanos, ou a insuficiente literacia da população sobre este este tema. Um cenário que a ser invertido contribuiria para o reforço da atratividade do país para a realização de ensaios clínicos, uma atividade com claros benefícios económicos, mas também sociais, e com elevado impacto na saúde e na qualidade de vida dos doentes.

João Almeida Lopes, presidente da Direção da Apifarma, dizia, em 2019, aquando do lançamento do relatório da PwC, que é fundamental atuar em dois vetores. "Por um lado, avançar para a priorização de investimento em I&D e criar programas de atração de investimento farmacêutico, e, por outro, estabelecer Portugal como local de referência para ensaios clínicos". Recorde-se que o estudo encomendado pela Apifarma conclui que cada euro investido em ensaios clínicos gera 1,99€ na economia nacional.

Três anos e uma pandemia depois, as metas continuam a ser as mesmas, assim como
os benefícios que o investimento na investigação clínica poderá trazer ao país. Oportunidades económicas e uma maior atratividade de investidores internacionais, a que acrescem, com a aposta na atração de ensaios clínicos para território nacional, o acesso antecipado a medicamentos inovadores aos doentes que participam nos estudos, a promoção e o desenvolvimento do país em inovação clínica, e o aumento de operadores internacionais em Portugal. Segundo dados da Comissão Europeia, em 2016, a indústria farmacêutica foi o setor com o maior volume de investimento em I&D no mundo (144,1 mil mihões de euros) e com a maior intensidade de I&D (peso da I&D no valor de vendas da indústria/empresas), com 21.0%.

Para debater a importância da investigação clínica e dos ensaios clínicos em Portugal, o Diário de Notícias, em parceria com a AbbVie, convidaram Pedro Mendes Bastos, dermatologista e investigador clínico, e Teresa Luciano, vice-presidente do AICIB (Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica), para mais um episódio da série de podcasts "Diálogos: Saúde e Futuro", que poderá ver e ouvir esta terça-feira, no site do DN .

Recorde-se que, ao longo dos próximos meses, os oito episódios de "Diálogos: Saúde e Futuro" abordarão temáticas como a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o desígnio nacional de eliminar a Hepatite C até 2030, as doenças inflamatórias do intestino, entre outros assuntos que marcam a atualidade da saúde em Portugal.

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