Preocupações ambientais e sociais levam a mudanças na mobilidade em Paris

Uso do automóvel entrou em declínio ainda antes da pandemia. Futuro vai incluir veículos elétricos, autónomos e até voadores.

Paris está a mudar a forma como a população se desloca, centrando-se cada vez menos na dimensão das infraestruturas e mais no planeamento da mobilidade. É uma resposta a preocupações ambientais, evidenciadas pelo Acordo de Paris e pela lei da mobilidade de 2019, e a questões sociais, com a alteração de modos de vida. A pandemia de covid-19 veio trazer um novo ímpeto.

Dany Nguyen-Luong, diretor do Departamento de Mobilidade e Transporte do Institut Paris Region, que falava durante a cimeira Portugal Mobi Summit, diz que antes da covid-19 já havia indícios de um "declínio na utilização de veículos automóveis e [havia] mais pessoas a usarem bicicletas".

Houve uma inversão no início dos anos de 1990 no centro da região de Paris, alteração que se estendeu depois às áreas periurbanas e mais rurais no início dos anos 2000. Na capital francesa, uma análise revela, por exemplo, que se realizaram 14,8 milhões de viagens por carro/dia em 2018, abaixo de 15,5 milhões/dia em 2010.

Depois, durante a pandemia, houve uma "redução drástica da mobilidade e uma explosão da utilização da bicicleta, de trabalho remoto e um orçamento maior dedicado à mobilidade", acrescenta o especialista.

As transformações na mobilidade, que se pretende cada vez mais partilhada, sustentável, inclusiva e inteligente, decorrem de "mudanças na sociedade" a nível de lazer, envelhecimento da população e trabalho mais digital. São questões que "têm impacto nas políticas públicas e nas estratégias dos Stakeholders", sublinha o especialista.

Em relação ao futuro em Paris, Dany Nguyen-Luong destacou o Grand Paris Express - quatro linhas de metro com uma extensão de 200 quilómetros e 68 novas estações, que custará 35 mil milhões de euros e deverá transportar 2 milhões de passageiros por dia.

Mas há mais. Está a crescer o mercado de novos serviços relacionados com o uso de trotinetes, bicicletas e partilha de automóvel. Há, também, projetos para os transportes públicos de massas e para as autoestradas.

A nível nacional, França ambiciona uma "mobilidade limpa", pelo que recorre a medidas fiscais e ao desenvolvimento de infraestruturas de transportes púbicos e de ciclovias.

A inovação é incontornável, diz ainda Dany Nguyen-Luong, apontando o incremento de veículos elétricos, o desenvolvimento de robot táxis, a criação de autocarros, camiões e barcos autónomos, assim como de veículos automóveis que voam, como alguns exemplos do que o futuro reserva em termos de mobilidade.

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