As cidades podem ser geridas como "start ups"

A experiência que Cascais está a fazer com o programa Raptor, para abordar desafios de mobilidade urbana de nicho financiando start ups que tragam soluções, pode mudar o processo de decisão política. Há quem defenda que não só as cidades e as start ups combinam bem como até deviam "casar"

As cidades e as start ups combinam bem? O debate do Portugal Mobi Summit juntou à mesma mesa a diretora da Autoridade de Transportes de Cascais, Rita Sousa, David Vale, Professor Associado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e André Marquet - CEO da Productized.

Em Cascais, pioneira na adoção de políticas de mobilidade como o transporte público gratuito, o "namoro" com as start ups que possam trazer novas soluções nesta área já começou, através do programa Raptor (Rapid Agile Support for Cities: Rapid Applications for Transport), afirmou Rita Sousa. Com esse programa, a autarquia chamou start ups a trazerem ideias novas para lá do que o município já criou na área da mobilidade mas "são projetos pequenos para implementar num curto espaço de tempo, começámos no verão e vamos terminar no final do ano". Mas, à cautela, a responsável ressalvou: "Estamos no namoro, vamos ver se o casamento vai acontecer".

André Marquet, CEO da Productized, defendeu que as cidades ou os municípios deviam "adotar muito da cultura das start ups" até porque "gerem um domínio digital cada vez maior". Nomeadamente, "terem um chefe de gestão de produto" e experimentarem mais as políticas de mobilidade em pequenas zonas, como vai acontecer com o Raptor, antes de as expandir para todo o território.

O Professor David Vale usou da sua experiência de trabalhar com autarquias para concluir que "há sempre a vontade que aquele desenho de urbanismo tenha de ser o melhor quando por vezes é impossível". Daí a importância do "urbanismo tático". "Nem os moradores de uma zona por vezes conseguem imaginar outra realidade. Por exemplo, perante uma decisão de tirar lugares de estacionamento. Se callhar vamos experimentar primeiro e ver como corre, os miúdos podem ir a pé para a escola. Uma experimentação na forma assumida".

Mantendo a lógica de CEO de uma empresa inovadora, André Marquet deixou uma tirada para refletir: "Todas as start ups querem ser unicórnios. E as cidades mais avançadas também querem ser unicórnios".

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