Escassez global de chips vai continuar em 2021

IDC compara o que se está a passar com um "engarrafamento" de trânsito. Ainda assim, as receitas deste mercado subiram 10,8% no ano passado e vão continuar a crescer durante a crise de fornecimento
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Os problemas que têm assolado a indústria de semicondutores vão continuar a fazer-se sentir em 2021, segundo a previsão da IDC. Com a procura em alta e as receitas a subir, os efeitos da escassez mantêm-se, para já, sem expectativa de resolução.

"Tal como acontece num engarrafamento de trânsito e com o efeito cascata, uma disrupção no fornecimento de semicondutores a operar perto da máxima capacidade terá impacto em toda a cadeia logística", indicou a consultora, numa nota referente aos resultados de 2020.

No total, as receitas da indústria de semicondutores cresceram 10,8% no ano passado, atingindo os 464 mil milhões de dólares (386 mil milhões de euros). A IDC antecipa que o mercado aumente ainda mais este ano, devido ao crescimento continuado da procura por chips nos segmentos de consumo, computação, 5G e indústria automóvel. A previsão é de uma subida de 12,5% para 522 mil milhões de dólares (434 mil milhões de euros), apesar das dificuldades resultantes da escassez de componentes.

"A indústria vai continuar a fazer um grande esforço para reequilibrar os diferentes segmentos", vaticinou a IDC, frisando que investir agora no aumento da capacidade vai aumentar a resiliência de toda a indústria nos próximos anos.

"Olhando para 2021, a IDC continua a ver um forte crescimento nas vendas de semicondutores em todo o mundo, à medida que a adoção de tecnologias cloud e a procura por dados e serviços continuam inalteradas", lê-se na nota. As políticas fiscais e monetárias deverão beneficiar esta indústria, funcionando como "vento de cauda" que incentiva os investimentos em infraestruturas de longo prazo.

De acordo com os dados da consultora, o aumento da procura por chips para computadores e servidores foi maior que qualquer outro segmento, tendo subido 17,3% no ano passado e representando mais de um terço do total de receitas (160 mil milhões de dólares). Em 2021, o ritmo de subida será de 7,7% para 173 mil milhões.

O outro segmento em alta nas contas dos semicondutores é o dos smartphones. Embora as vendas de unidades tenham caído de forma significativa, as receitas de chips para smartphones cresceram 9,1% porque os semicondutores 5G são mais caros e os novos modelos têm mais memória e mais sensores. Esta realidade será ainda mais visível em 2021, em que a IDC prevê que as receitas dos chips para telemóveis cresçam 23,3% para 147 mil milhões.

A história é menos colorida no que toca à indústria automóvel, apesar de também se prever um crescimento de receitas de 13,6%. O problema é que a escassez de componentes, que tem tido efeitos negativos, foi agravada por acidentes e encerramentos em fábricas. O ciclo de fabrico no ecossistema automóvel também é mais lento que nos outros segmentos.

"Os mercados continuam estreitamente focados na escassez em sectores específicos da cadeia logística, mas o mais importante é enfatizar como os semicondutores são críticos para as principais categorias de sistemas e crescimento de conteúdos, permanecendo inabalável", notou o vice-presidente de programa de semicondutores da IDC, Mario Morales.

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