A associação portuguesa dos TVDE diz que há "excesso de oferta combinado com preços artificialmente baixos" no setor e preços praticados são "artificialmente baixos". Em simultâneo, num contexto de preços altos nos combustíveis, elogia a Bolt (mas deixa alertas) e critica a Uber.Ivo Miguel Fernandes é presidente da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD). Num comunicado enviado ao DN e DV, salienta que "o excesso de oferta de veículos no setor é uma evidência matemática.l".O responsável opõe-se assim à perspetiva de uma das grandes operadoras do mercado português. De acordo com a perspetiva partilhada com o DN/DV por Mário de Morais, diretor geral da Bolt Portugal, em entrevista, os veículos TVDE "ainda são poucos para o que precisamos nas cidades portuguesas". Ora, a APTAD tem uma visão diametralmente oposta."As taxas de ocupação dos veículos TVDE têm-se mantido consistentemente abaixo dos 50%", pode ler-se. Um cenário "que demonstra, de forma clara, que a procura não acompanha o volume de oferta existente", completa Ivo Miguel Fernandes."A única forma de sustentar a ideia de 'falta de veículos' é considerar níveis artificiais de procura induzidos por preços excessivamente baixos", de acordo com o próprio. Ora, estas viagens são, em muitos casos, mais baratas do que com transportes públicos, pelo que fica "evidente que os preços praticados pelas plataformas — frequentemente abaixo do custo real da operação — servem apenas para estimular a procura artificial", acrescenta.A situação "não é sustentável nem pode servir de base para decisões estruturais no setor", na medida em que "o excesso de oferta combinado com preços artificialmente baixos (...) compromete a sustentabilidade da atividade", aponta o líder da APTAD.Assim sendo, a associação esclarece que importa rever a Lei do TVDE, "com a introdução de mecanismos que garantam equilíbrio económico, nomeadamente tarifas mínimas e uma taxa de ocupação mínima por plataforma", atira.Bolt insiste em procura acima da ofertaContactada pelo DN/DV sobre o tema, a Bolt salienta que "a taxa de ocupação não pode ser medida de forma isolada por uma só plataforma", na medida em que um motorista pode estar a procurar serviços em mais do que uma app em simultâneo, mas "só pode realizar uma viagem de cada vez". Assim, a empresa garante que a oferta tem cada vez mais uso, já que "o número de pedidos de viagem tem crescido a um ritmo superior ao crescimento do número de motoristas", no mercado nacional. Neste contexto, alerta para o "volume de pedidos de viagem que não chegam a ser concluídos por falta de oferta disponível", no que considera ser "um sinal direto de que a procura supera a capacidade de oferta atual" do setor TVDE.Subida dos preços dos combustíveisA APTAD elogia as medidas da Bolt para mitigar os aumentos dos combustíveis, como são os "descontos em combustível, revisão em alta dos preços mínimos em determinadas geografias e atribuição de vales de apoio aos motoristas mais ativos", lê-se no mesmo comunicado.Ainda assim, lembra que são ações "paliativas", pelo que pede "medidas estruturais", como seria a "suspensão da inscrição de novos veículos na plataforma", de forma a aumentar a taxa de ocupação e "estabilizar o mercado".Ao DN, a Bolt indica que houve uma subida das tarifas, "não apenas motivado pelos combustíveis, mas como uma revisão global das condições do serviço", em função de procurar garantir a "sustentabilidade" da atividade.Por outro lado, a APTAD castiga duramente outra operadora do setor: a Uber. Critica a "ausência total de resposta" da própria, ao mesmo tempo que não apresenta "qualquer medida de apoio ao setor", aponta.A associação diz que a empresa se remete ao silêncio e mantém as tarifas "inalteradas", o que considera "inqualificável". Um cenário que coloca a nu "os problemas do atual modelo do setor, onde as plataformas controlam os preços mas não assumem responsabilidade pelos impactos económicos das decisões [que tomam]", na perspetiva da associação.Contactada pelo DN, a Uber salienta que conseguiu reduzir a exposição ao aumento dos combustíveis, por via da eletrificação da frota.Por esta altura, "mais de 50% dos quilómetros percorridos através da Uber em Portugal já são em veículos elétricos", ao mesmo tempo que os motoristas beneficiam de um preço de 0,41 euros/kWh em todos os carregadores rápidos e ultra rápidos. "Um desconto de 40%", sublinha a operadora.Por outro lado, "O modelo da plataforma já ajusta os preços com base na procura e na disponibilidade de motoristas, permitindo equilibrar em tempo real as necessidades dos motoristas com preços acessíveis", esclarece a Uber, ao DN..Veículos TVDE "ainda são poucos para o que precisamos nas cidades portuguesas"