A Endesa anunciou lucros de 2,2 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 16,4% face ao exercício anterior, segundo informação enviada à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) de Espanha, esta terça-feira, 24 de fevereiro. O resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) situou‑se nos 5,8 mil milhões, mais 8,7% em termos homólogos, enquanto as receitas totais subiram ligeiramente para 21,4 mil milhões de euros (+0,5%).A eléctrica destacou que, em 2025, aumentou substancialmente o ritmo de investimentos, com desembolsos de 3,2 mil milhões de euros — um acréscimo de 55% face a 2024 — dos quais 77% se destinaram a redes de distribuição e a projectos de energias renováveis. Este reforço das aplicações enquadra‑se num novo plano estratégico para 2026‑2028, que eleva os investimentos globais em 10% face ao triénio anterior e fixa um montante total de 10,6 mil milhões de euros, considerado pela empresa como “um recorde histórico” desde que iniciou operações em toda a Península Ibérica em 2014.Do total do plano estratégico, a Endesa prevê canalizar cerca de 5,5 mil milhões de euros (aproximadamente 52%) para o reforço e expansão da rede eléctrica, um objectivo que depende, segundo a empresa, de alterações legislativas em Espanha que permitam acelerar a execução das obras. Outros três mil milhões (cerca de 28%) serão aplicados em capacidade renovável, com prioridade para projectos eólicos e infraestruturas de armazenamento, enquanto 900 milhões serão reservados à actividade comercial de eletricidade e gás.A companhia salientou que todos os segmentos de negócio elevaram o EBITDA, à excepção da geração renovável, que sofreu com menores volumes e preços na eólica e solar. A geração convencional e o negócio do gás tiveram um contributo positivo significativo para os resultados, refere a nota. A Endesa também sublinhou que 2025 se caracterizou por um incremento da procura eléctrica na Península Ibérica, estimada em cerca de 2% no ano.A empresa reconheceu, contudo, o efeito negativo do apagão de 28 de abril de 2025 na Península Ibérica, que implicou custos extraordinários associados a operações de reforço e readaptação das redes, bem como despesas imprevistas para garantir o abastecimento.No documento, a Endesa alerta para um “contexto generalizado de saturação” das redes de distribuição em Espanha, apontando para níveis médios de ocupação de 88%. Face a esta situação e ao atraso no cumprimento das metas de potência eólica e de armazenamento previstas para 2030, a empresa voltou a defender a alteração do calendário de encerramento das centrais nucleares acordado em 2019, propondo a extensão de vida de algumas unidades como medida para reforçar a segurança do abastecimento. A Endesa sublinha ainda a competitividade da tecnologia nuclear face às alternativas disponíveis.Impacto e presença em Portugal A Endesa é a maior eléctrica espanhola e a segunda maior operadora de distribuição de gás em Espanha. Em Portugal, a empresa produz e distribui electricidade e mantém um conjunto de projectos renováveis. Destaca‑se o contrato ganho para a reconversão da central do Pego (Abrantes), com um investimento estimado de 600 milhões de euros. A empresa indica que o início da construção dessa reconversão está previsto para 2027. A companhia tem igualmente em curso iniciativas de desenvolvimento de parques solares em território português.Perspectivas financeiras Com o novo plano estratégico, a Endesa projeta um crescimento médio anual dos seus resultados na ordem dos 4% até 2028. A administração sublinha a intenção de “liderar a transição energética” e de aproveitar as oportunidades resultantes da electrificação da economia, ainda que a concretização plena do plano dependa de condições regulatórias e de mercado favoráveis..Lucros da Endesa crescem 22% até setembro para 1,7 mil milhões de euros