Ainda vai haver um debate com todas as coligações e partidos que têm atualmente representação parlamentar, na quarta-feira, mas é nesta segunda-feira à noite que RTP, SIC e TVI transmitem o frente a frente, supostamente decisivo, entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos. Pouco mais de um ano depois de os líderes do PSD e do PS se terem enfrentado como candidatos a suceder a António Costa à frente do Governo, mas em circunstâncias muito diferentes, com forças e fraquezas muito diferentes daquelas que um e outro tinham em 2024.Desde logo, à entrada para um debate em que os participantes querem apelar a uma percentagem de indecisos que algumas sondagens apontam ser particularmente elevada, desta vez é Luís Montenegro que defende uma governação interrompida muito antes do final da legislatura, mas também é sobre ele que recai o ónus judicial - tendo afirmado que não abdicaria de ir a votos mesmo que viesse a ser constituído arguido -, sendo a Spinumviva, empresa de consultoria por si fundada, causa direta da crise política causada pelo chumbo da moção de confiança que apresentou Assembleia da República. Por seu lado, Pedro Nuno Santos pode agora colocar-se como alternativa ao Governo, algo que lhe foi mais incómodo quando estava em causa a herança política do seu antecessor na liderança do PS. E tentar gerir o seu próprio currículo de governante, no qual alguns adversários políticos preferem ver um cadastro. Tal como nas eleições legislativas anteriores, as principais figuras da AD e do PS vão esforçar-se, nas três semanas e meia que faltam até 18 de maio, para obterem a vitória. Algo que envolve conquistar eleitores indecisos entre os seus programas, mas sobretudo apelar ao voto útil de cada um dos lados do espetro político. Algo que foi patente nos debates televisivos realizados até agora, pois tanto Luís Montenegro se dirigiu aos eleitores do Chega e da IL, brandindo o argumento do regresso dos socialistas o poder, como Pedro Nuno Santos lançou apelos diretos à concentração de votos à esquerda. Mas ainda está por apurar se as suas estratégias estão a ter efeito, na medida em que nenhuma das sondagens divulgadas nos últimos 30 dias dão mais de 34,4% de intenções de voto à AD e 30,1% à PS, enquanto várias indicam hipóteses de subida para os restantes partidos. No ano passado, quando Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos debateram no Teatro Capitólio, em Lisboa, que tinha à porta uma manifestação de polícias, o líder do PS constatou que o homólogo do PSD nunca tinha tido experiência governativa, tendo este respondido com o episódio em que o interlocutor, “à revelia do primeiro-ministro”, fez publicar em Diário da República um despacho que previa a construção de dois aeroportos para substituir a Portela. “Esteve mal como ministro, o que será como primeiro-ministro?”, perguntou. Desta vez existe um consenso entre os comentadores que Pedro Nuno Santos surge mais bem preparado na exposição das suas ideias, com o IVA Zero nos produtos alimentares como alternativa às reduções de impostos sobre o rendimento que a AD quer implementar. Entre as quais, mexidas no IRS, onde a AD quer reduzir 2 mil milhões de euros até 2029. Para este ano, o programa eleitoral da coligação prevê uma redução de 500 milhões de euros. Isto a juntar, ainda, às mexidas de “fixação dos jovens”, como a isenção de IMT e de imposto de selo. Ou seja: uma diferença, em toda a linha, em relação ao PS, que prefere mexer nos impostos indiretos e transversais, como o IVA.Averiguações preventivas entram na discussão?Apesar das diferenças em matéria fiscal e em tantas outras áreas, há, no entanto, um tema que une tanto o líder do PSD como o secretário-geral do PS: ambos têm (ou tiveram) sobre si o jugo da “averiguação preventiva”. Em ambos os casos, queixas anónimas estiveram na origem da abertura das averigu ações por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR). Perante as investigações em curso, o Governo apresentou uma moção de confiança, que foi chumbada no Parlamento, levando à queda imediata do executivo, o que conduziu à dissolução da Assembleia da República e, por consequência, a eleições legislativa antecipadas.A primeira investigação a ser aberta foi a Luís Montenegro, em março. Em causa estava a empresa familiar do primeiro-ministro. E, já no mês de abril, a PGR anunciou a abertura de uma averiguação preventiva ao líder socialista, também com base em queixas anónimas e, como acrescentou fonte da PGR ao DN, “recentes”. Neste caso, as queixas entregues e que visam Pedro Nuno Santos prendem-se supostamente com a aquisição de dois imóveis (um Lisboa e um em Montemor-o-Novo). Prontamente, o secretário-geral do PS veio a público dizer que disponibilizaria toda a documentação e reiterar a disponibilidade para prestar os esclarecimentos necessários.E, tendo em conta a transversalidade do assunto, este poderá vir a ser abordado no frente a frente entre ambos. Certo é que Pedro Nuno Santos já deixou bicadas a Montenegro sobre o assunto. Na passada sexta-feira, na sessão solene do 25 de Abril, o líder do PS fez uma alusão ao caso Spinumviva. Ainda que sem mencionar o nome da empresa na sua intervenção, o líder do PS afirmou que: “A democracia (...) sujeita os políticos a um maior escrutínio e impõe-lhes um maior nível de transparência e de integridade ética do que em qualquer outro momento da história. Este imperativo democrático de maior transparência é incompatível com comportamentos de opacidade e de ocultação.”