O Sporting defronta esta quarta-feira o RB Leipzig (17.45, SportTV5), o clube mais odiado da Alemanha, num jogo que marca a estreia de Rui Borges na Liga dos Campeões, ele que como treinador não sofreu qualquer derrota na única prova europeia em que participou - soma 12 jogos, 10 vitórias e dois empates na Liga Conferência, que disputou esta época pelo V. Guimarães.O RB Leipzig é um case study. O atual quinto classificado da liga alemã, mas ainda sem pontos na Liga dos Campeões (soma seis derrotas), só foi criado em 2009 e é detido pela Red Bull, a marca de bebidas energéticas austríaca. O investimento forte a nível financeiro proporcionou uma ascensão meteórica ao ponto de a equipa neste curto espaço ter conquistado duas Taças da Alemanha (2021-22 e 2022-23) e uma Supertaça (2023), sido semifinalista da Champions (2019-20) e da Liga Europa (2021-22), e vice-campeã alemã em 2016-17 e 2020-21.Mas a forma como este sucesso desportivo foi alcançado, muitas vezes com atropelos à lei, não agrada aos adeptos alemães, sobretudo aos mais conservadores, e por isso o clube é odiado na Alemanha, visto como uma equipa sem história, valores e identidade, que só sobrevive à custa do dinheiro da Red Bull. A maioria dos adeptos sempre se mostrou contra a forma como o RB Leipzig se impôs a nível desportivo. Começou por comprar a licença do SSV Markranstädt, da V Divisão alemã, e foi subindo sucessivamente de escalão até à I liga em 2016-17. Nesta altura já jogava no novo estádio (Red Bull Arena) e tinha feito alterações ao emblema para não o identificar com a marca de bebidas energéticas, uma imposição da federação alemã de futebol.Refira-se que na Alemanha não é permitido ter o nome do patrocinador na nomenclatura dos clubes. Mas isso foi fácil de dar a volta, porque o RB não significa Red Bull, mas sim RasenBallsport. Outro “pormenor” que foi preciso alterar: no futebol germânico os clubes têm que pertencer maioritariamente aos sócios e não a um investidor. A questão ultrapassou-se facilmente fazendo dos gestores do clube sócios acionistas.Em 2017 foi ultrapassada mais uma barreira burocrática, com a UEFA a permitir que o Red Bull Salzburgo, da Áustria, e o RB Leipzig pudessem atuar na Liga dos Campeões apesar de terem o mesmo dono. Além destes dois emblemas, a multinacional detém ainda as equipas de futebol do Red Bull Bragantino (Brasil) e do New York Red Bulls (EUA).Foi assim, passo a passo, que o RB Leipzig se tornou numa das potências do futebol alemão e com lugar quase sempre na elite do futebol europeu, na Liga dos Campeões. Um conjunto capaz de pagar 40 milhões de euros por um reforço (caso de Openda, em 2023-24), mas ao mesmo tempo ser um clube bom vendedor - encaixou 55 milhões no verão com Dani Olmo para o Barcelona, e na época passada 90ME com Gvardiol para o Manchester City, 70ME com Szoboszlai para o Liverpool e 60ME com Nkunku para o Chelsea. Em anos anteriores fez também bons negócios, como a venda de Upamecano ao Bayern por 42,5ME e de Timo Werner ao Chelsea por 53ME.Borges quer vitória na estreiaÉ frente a esta equipa germânica, onde atua o avançado internacional português André Silva (está lesionado) e que é orientada por Marco Rose, que o treinador do Sporting, Rui Borges, vai fazer a sua estreia na Liga dos Campeões, ele que até agora na Europa só tinha disputado (e com sucesso) a Liga Conferência.“É o sonho de qualquer treinador e eu estou um bocadinho ansioso. Sentados no sofá olhamos para a televisão e sonhamos estar ali. É um sonho alcançado. A Champions é o máximo para qualquer treinador, jogador ou clube”, disse ontem o técnico leonino na antevisão à Sporting TV.“A estreia só tem significado para mim se conseguirmos vencer e assegurar o playoff, que é o objetivo. O RB Leipzig é uma equipa perigosa. Estou muito focado no que podemos fazer, que é ganhar o jogo, mesmo sabendo que será muito difícil apesar de o RB Leipzig estar fora do playoff. As individualidades deles são muito fortes e, por isso, será extremamente difícil”, acrescentou. Eduardo Quaresma, lesionado, é baixa confirmada.nuno.fernandes@dn.pt