Em 2022, durante a pandemia, nasceu o primeiro Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) na que é agora Unidade Local de Saúde São José (ULSSJ): o de Gastrenterologia. A partir daí, este modelo de organização de serviços não tem parado de aumentar. Até agora, são 11, mas a partir de março serão 12. .No Hospital São José há profissionais a tentarem transformar a Urgência: “Já é a nossa casa”. “Vamos abrir mais um, em Ortopedia”, diz a presidente do conselho de administração da ULSSJ, Rosa Matos, que assume defender este tipo de modelo. “É uma estratégia nossa, apostamos muito na inovação organizacional”, diz, destacando que o que distingue este modelo de gestão é o facto de “serem projetos que partem de baixo para cima”. Ou seja, “o conselho de administração abre as portas, incentiva, mas o projeto tem de ser pensado pelos profissionais e todos têm de colaborar”.Rosa Matos rejeita mesmo a ideia, que muitos defendem, de o CRI ser um modelo que “vai criando ilhas dentro do hospital”. “Não é verdade”, sustenta. “Antes de ser criado, é obrigatória a criação de um manual que define a articulação com o resto do hospital e, até, com os cuidados de saúde primários. Portanto, o seu funcionamento, no todo, está assegurado”, diz, referindo até que “os CRI centravam-se muito na produção adicional e agora não. Há uma contratualização de atividade que é feita entre o conselho de administração e a direção do CRI para dois a três anos, que vai sendo atualizada anualmente”.A presidente da ULSSJ considera mesmo que “é um modelo que traz autonomia aos profissionais, mas também mais responsabilidade, tanto à equipa, como ao próprio conselho de administração”. É assim que têm funcionado os CRI de Gastrenterologia, Urologia, Traumatologia Ortopédica, Tratamento Cirúrgico da Obesidade, Oftalmologia Pediátrica, Dermatologia, Medicina e Cirurgia Fetal, Esclerose Múltipla, Coluna, e do Serviço de Urgência. Como diz, em março começa mais um, “o da Ortopedia”. “Vamos ter esta área toda coberta com CRI”, refere.Rosa Matos destaca ainda que “o CRI é um modelo que não envolve só um compromisso assistencial, mas também financeiro, de investigação e de inovação”.“O nosso CRI da Esclerose Múltipla está a desenvolver três novos ensaios clínicos.” Portanto, sublinha, “não são só um compromisso para acabar com listas de espera, mas um compromisso para que o doente, no seu todo, seja a prioridade.”E, na sua opinião, na ULSSJ “os resultados já são bem visíveis nos CRI existentes, sobretudo para os doentes”. E dá exemplos: “O CRI da Gastro já integra o rastreio nacional. O do Trauma, que tinha muita dificuldade em gerir a lista de espera e atividade programada - porque estavam sempre a entrar doentes novos vindos da Urgência -, já está a conseguir resolver este problema, com a redução da lista de espera.”Por isso, em relação ao futuro da unidade assume que “o importante é continuar a trabalhar o dia a dia em equipa, profissionais e administração”. “Digo sempre que iremos até onde os profissionais quiserem ir, porque os recursos humanos são o suporte de tudo.”