Premium Como é que Da Vinci sabendo pouco de latim e de matemática foi o maior génio?

Walter Isaacson, o biógrafo de Leonardo da Vinci, assinalou os quinhentos anos da morte de um dos mais importantes artistas com 670 páginas reveladoras da sua vida. Antes tinha retratado, entre outros, Einstein e Steve Jobs.

"Fiquei surpreendido com a curiosidade muito abrangente de Leonardo da Vinci" - foi a primeira grande conclusão do ex-presidente da CNN e editor da revista Time, Walter Isaacson, enquanto investigava Leonardo da Vinci para escrever a biografia sobre o artista. Em seguida, ao ler 7200 páginas de cadernos com muitos apontamentos, escritos e desenhos, diz: "Fiquei maravilhado com a forma como ele queria saber tudo o que pudesse sobre cada assunto que fosse interpretável, da anatomia à arte, da música à matemática e à zoologia." Conclui, na entrevista ao DN, sem dificuldade que Da Vinci tinha "essa capacidade de apreciar os padrões da natureza em diferentes tópicos, o que o ajudou a tornar-se o génio mais criativo da história da humanidade".

Isaacson considera que Da Vinci é o melhor exemplo do homem renascentista, no entanto coloca reticências no que respeita ao seu entendimento enquanto génio. A razão é simples: "Ele foi um génio criativo, mas se usarmos apenas a palavra génio sobre a sua mente, dá a ideia de ter sido tocado por criador com alguns poderes sobre-humanos. O que contraria a realidade, porque o génio resulta da sua vontade e da dedicação ao esforçar-se para ser mais observador e curioso e trabalhando exaustivamente para aprender tudo o que pudesse."

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.