Premium 90% das urgências de obstetrícia têm falta de médicos

Como se nasce em Portugal? Já depois de denúncias de transferências de grávidas em trabalho de parto na MAC, o Amadora-Sintra teve problemas nas escalas na urgência de obstetrícia, que se estendem a alguns dos principais serviços do país, como mostra a Ordem dos Médicos.

Urgências de obstetrícia com apenas um médico e um interno; outras em que, em muitos períodos, os especialistas nem estão fisicamente e são chamados em caso de necessidade; ecografias que são encaminhadas para os centros de saúde por falta de profissionais nos hospitais; e escalas - muitas, de norte a sul - que são garantidas com o recurso a médicos tarefeiros, em muitos casos pagos a 50 euros à hora, mais do dobro do que ganha um profissional do quadro. Estas são as pinceladas largas que pintam os principais problemas de alguns dos maiores serviços do SNS encarregues pelos partos no país. Uma falta de recursos humanos que afeta 90% das urgências de obstetrícia e que pode fazer subir as taxas de cesarianas, alertam os peritos.

Obstetrícia é uma das especialidades que mais sofrem com o envelhecimento dos especialistas, reforçam os profissionais. O aviso recente em forma de carta de demissão dos chefes de equipa da Maternidade Alfredo da Costa (onde na semana passada foram abertas duas vagas para recém-especialistas) fazia o diagnóstico do que se passa em vários pontos do país: se na MAC, em 27 especialistas, um está de baixa e 20 têm mais de 50 anos - e, entre estes, sete têm mais de 55 e podem deixar de fazer urgências -, há hospitais em que essa percentagem é ainda maior.

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