Premium Não podemos suspender o planeta

Não há dúvida de que a capacidade de reação coletiva, seja nas redes sociais seja na rua, está cada vez mais amplificada. Há uma nova demonstração disso, a propósito da Amazónia. Houve outras, como a protagonizada por Greta Thunberg ou como a reação ao fogo na Catedral de Notre-Dame de Paris. Aliás, tornou-se viral comparar a Amazónia e a Notre-Dame, com base na expressão da solidariedade global para com uma e outra (a própria Greta comparou Notre-Dame ao planeta). À partida, a comparação é possível, pois ambas são símbolos civilizacionais. A recente troca de palavras azedas entre Macron e Bolsonaro reavivou a comparação. A identidade de uma civilização não se perpetua também através dos símbolos culturais que faz perdurar? Penso que sim.

Notre-Dame é um tesouro religioso e arquitetónico. Mas não só. Para mim, a associação da catedral à história do Quasímodo e da cigana Esmeralda, da obra de Victor Hugo, é imediata. A sua mensagem continua atual e faz cada vez mais sentido na Europa de hoje - a necessidade de respeitar quem é diferente, quem procura refúgio e quem é ou foi tornado pária. Notre-Dame foi historicamente santuário da diferença e isso é tão valioso como o seu espólio. A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, aquela que tem a maior bacia hidrográfica e é o pulmão global. É refúgio de biodiversidade e possui uma identidade cultural própria assente no imaginário do Amazonas, da beleza da natureza, da religião e do misticismo, da riqueza mineral e até da Fordlândia.

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