Premium Como Bolsonaro vai governar e quem será o líder das oposições

O momento é de dúvidas: o novo presidente resistirá mesmo ao clientelismo de Brasília, imporá o liberalismo económico e será tão musculado como promete? E, sem palanque, Haddad pode unir os 47 milhões que votaram nele?

Michel Temer, o homem que vai colocar a faixa presidencial sobre Jair Bolsonaro no dia 1 de janeiro, prometia ao tomar posse em maio de 2016 reduzir o governo dos 31 ministros do fim da era Dilma Rousseff para 20 sob a sua administração, em nome dos rigores de gestão. Duas semanas depois, anunciava um executivo com 25 pastas, entretanto aumentado a meio do mandato para 29, ocupadas em dois anos por 55 ministros diferentes. Hoje, Bolsonaro fala em 15 ministros. Cumprirá mesmo a promessa de reduzir o tamanho do governo?

O desafio é fundamental para se perceber qual a disposição política do novo presidente. Ao prometer "mudar tudo isso aí", o seu bordão preferido, Bolsonaro refere-se, entre outros temas, ao clientelismo que, em última análise, gerou mensalão, petrolão e outros escândalos. Para governar, o presidente precisa da maioria do Congresso. Para aceitar votar com o governo, os congressistas precisam de ser seduzidos, menos por projetos e mais por contrapartidas. Essas contrapartidas costumam ganhar a forma de ministérios - daí a gordura dos governos de Temer, de Dilma, e, antes deles, de Lula da Silva ou de Fernando Henrique Cardoso. Numa frase, os presidentes anteriores preferiram tolerar o clientelismo para poder governar a erradicá-lo e ficar paralisados.

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