A ilusão da liberdade de que o país precisa

Regras iguais para todo o país e um plano de recuperação da liberdade em três fases. É com estas diretrizes, anunciadas pelo primeiro-ministro ontem à tarde, que os portugueses vão organizar as suas vidas no verão. Marcelo Rebelo de Sousa já tinha falado, nesta quarta-feira, numa nova narrativa e de um certo alívio das restrições. E ontem António Costa garantiu que há uma "total convergência entre o governo e o Presidente da República", afastando rumores de um certo distanciamento crescente entre as duas figuras de Estado. Mais disse: "Eu nunca me considero um otimista irritante, muito menos o Presidente da República alguma vez pode ser considerado dessa forma. O que senti nas palavras do Presidente da República foi uma confiança acrescida na forma como a pandemia tem sido controlada, como tem corrido o processo de vacinação e como estamos em condições de dar este passo em direção à retoma."

O presidente pediu esperança, coerência e consistência. O primeiro-ministro respondeu afirmativamente e fez questão de sublinhar a união entre ambos, numa altura em que o país parece estar a jogar à cabra-cega. De olhos vendados, vamos rodando de um lado para o outro até acertar. O resto da Europa acompanha-nos neste jogo infantil e imprevisível. Por cá, o governo "não hesitará em parar ou recuar se for necessário", esclareceu o primeiro-ministro. Por outro lado, admite também que as sucessivas fases de alívio podem ser antecipadas, em relação às datas hoje anunciadas, se o processo de vacinação decorrer de forma mais rápida face às datas previstas.

No plano imediato, nem todos os apelos foram atendidos, nomeadamente o que foi feito pelos empresários das discotecas que há mais de ano e meio desesperam pela reabertura dos seus espaços comerciais. Estes empreendedores vão ter de continuar ligados ao ventilador até ao mês de outubro. Pelo contrário, foram ouvidos os gritos dos agentes da restauração e bares que passam a funcionar até às 02h00 da madrugada, já a partir deste domingo. Uma medida importante, que coincide com o principal período de férias dos portugueses, e que irá reanimar este tecido empresarial há muito deprimido e pré-falido.

Saem vencedores também nesta primeira etapa os eventos desportivos que passam a ter público, ainda que sujeitos às regras da Direção-Geral da Saúde. O governo fez ainda escuta ativa dos apelos de alguns empresários que há muito pediam o fim do teletrabalho, que deixa agora de ser obrigatório. É recomendado nas atividades que o permitam, mas já não é regra. Pouco a pouco, a vida vai reentrando nos carris e essa é uma boa notícia.

Do plano de libertação anunciado ontem sai ganhador o Presidente da República, mas também o governo. Uma vitória que só se consolida se forem cumpridas as próximas metas da vacinação. Até 1 de agosto, 57% da população portuguesa deverá estar já completamente vacinada, 70% no início de setembro e 85% - o valor com que se deverá atingir a imunidade de grupo - em outubro. Até lá, a liberdade total é ainda uma ilusão.

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