Famílias vão poder poupar quase 30 euros em 2019 na conta da eletricidade

O governo prometeu a todos os portugueses menos 18 euros por ano na conta da luz. Com menos potência contratada podem poupar mais dez euros.

"Um euro e meio por mês todos os portugueses vão pagar a menos [em 2019 na fatura da eletricidade], porque para todos a tarifa [de acesso à rede] vai baixar" 16,7%, o que beneficia a totalidade dos seis milhões de consumidores de energia elétrica. A promessa foi feita pelo próprio ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes.

Contas feitas, de acordo com o governante, as famílias vão poupar no próximo ano, pelo menos, 18 euros por ano na conta da luz. Mas a possibilidade de poupança não se fica por aqui, sublinhou também o ministro. Isto porque o Orçamento do Estado para 2019 prevê ainda uma descida do IVA da taxa máxima de 23% para 6% para quem opte por uma potência instalada até 3,45 kVA.

De acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), esta é a potência contratada pela maioria dos consumidores: são 2,8 milhões de portugueses que podem ainda garantir uma redução na fatura anual de mais cerca de dez euros, a somar aos 18 já anunciados pelo ministro. No total, as famílias vão poder ter uma redução de quase 30 euros nos encargos com a eletricidade no próximo ano.

Menos potência contratada dá desconto

Para quem esteja no mercado regulado e tenha uma potência contratada de 3,45 kVA, o valor anual a pagar apenas pelo contador desce de 73,8 euros para 63,06 euros por ano, apurou o DN/Dinheiro Vivo de acordo com os dados da ERSE. Cada mês são menos 85 cêntimos, de 6,15 para 5,3 euros. Já no mercado liberalizado estes valores podem variar porque cada empresa é livre de cobrar valores diferentes pelas várias potências contratadas.

Seja no mercado livre ou no regulado, Matos Fernandes já apelou repetidamente às famílias para mudarem a sua potência contratada para 3,45 kVA (a mesma que tem em sua casa, garante) para terem acesso a este desconto adicional. É que quem opte por uma potência contratada mais elevada vai continuar a suportar o IVA a 23%. Nos 4,6 kVA o valor total anual do encargo com o contador mantém-se nos 95,94 euros, enquanto nos 6,9 kVA são 140 euros por ano, isto no mercado regulado.

Apesar de Matos Fernandes ter garantido que a fatura da eletricidade vai baixar em 2019 "para todos os portugueses" 1,5 euros mensais, e não apenas para os consumidores do mercado regulado, cada família verá na sua fatura um desconto que depende de muitas variáveis: mercado livre ou regulado, potência contratada, empresa fornecedora, condições do contrato.

Para cerca de um milhão de consumidores que ainda permanecem no mercado regulado, é já certo que as tarifas de venda a clientes finais vão descer 3,5% para os consumidores domésticos a partir de janeiro. De acordo com o regulador são menos 1,58 euros para uma fatura média mensal de 45,1 euros.

No mercado liberalizado, as empresas já começaram a comunicar aos clientes, seja nas próprias faturas, por carta ou e-mail, as atualizações de tarifários para 2019. Na "guerra de preços", a EDP Comercial foi a primeira a anunciar menos 3,5%. A Endesa é a que mais desce (-6,3%), enquanto a Galp se fica pelos -2,6%. A Goldenergy baixa 4% e a Iberdrola promete uma "redução significativa que vai refletir-se na fatura do cliente".

barbara.silva@dinheirovivo.pt.pt

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O voluntariado

A voracidade das transformações que as sociedades têm sofrido nos últimos anos exigiu ao legislador que as fosse acompanhando por via de várias alterações profundas à respetiva legislação. Mas há áreas e matérias em que o legislador não o fez e o respetivo enquadramento legal está manifestamente desfasado da realidade atual. Uma dessas áreas é a do voluntariado. A lei publicada em 1998 é a mesma ao longo destes 20 anos, estando assim obsoleta perante a realidade atual.