Efeitos inesperados de más decisões políticas

O mundo tem os olhos postos nos preços das matérias-primas. A escalada tem vindo a acentuar-se nos últimos meses e a preocupação aumenta a cada semana que passa. Agora é a vez de o petróleo voltar a subir. O custo do barril cresceu 3% e atingiu, ontem, o valor mais alto de três anos. Mais: é a primeira vez, desde 2018, que o crude ultrapassa a barreira dos 75 dólares por barril. O petróleo do Texas (WTI) atingiu 75,93 dólares por barril (cerca de 63,9 euros), para contratos futuros para entrega em agosto. Há uma espécie de linha psicológica que foi ultrapassada e que está a preocupar os agentes económicos e, claro, os consumidores, que têm de abastecer os depósitos dos seus automóveis regularmente.

Esta evolução é justificada pelo aumento da procura por parte dos países industrializados, à medida que as restrições contra a covid-19 são levantadas e as atividades empresariais voltam a acelerar. Uma subida imparável faz crescer ainda mais a fatura energética, retirando competitividade às empresas e atrasando a sua recuperação pós-pandémica. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus aliados (OPEP +) já se reuniram e poderá ser necessário um novo aumento da produção.

Não é devido à subida do preço do petróleo que faltam combustíveis no Reino Unido. Mas faltam motoristas que os transportem até aos postos de abastecimento, e essa situação está a gerar o caos. A opção de seguir em frente com o Brexit está a criar várias dificuldades na gestão do país. Primeiro faltaram alimentos nas prateleiras dos supermercados - situação vivida neste verão, não só por falta de stocks, mas por ausência de mão-de-obra que recolocasse os alimentos nas prateleiras. Agora faltam ainda homens e mulheres para conduzir camiões de combustíveis. O Brexit levou à saída de uma fatia da população imigrante, que ocupava funções como estas - quer no retalho quer nos transportes de materiais perigosos - e não há mãos para levar os produtos ao destino.

Chegou-se ao ponto de, na segunda-feira, o governo britânico ter ordenado ao Exército que dê uma mão para controlar a crise dos combustíveis. Devem preparar-se para ajudar face à atual rutura, depois de um fim de semana em que os britânicos correram aos postos de abastecimento, deixando-os esgotados. "Um número limitado de motoristas de tanques militares deve estar preparado para intervir e mobilizado, se necessário, para estabilizar o fornecimento de combustível", disse o Ministério dos Negócios e da Energia britânico.

A escassez de combustíveis no Reino Unido deve-se ao abastecimento desencadeado pelo "pânico", afirmou o presidente da Associação de Postos de Gasolina britânica. "Um dos nossos membros recebeu um tanque ao meio-dia e ao final da tarde tinha totalmente desaparecido para abastecer os carros das pessoas", explicou Brian Madderson.

No domingo, os postos sem combustível eram aos milhares e os restantes estavam parcialmente secos ou prestes a esgotar. A corrida acelerou nos últimos dias, depois de várias petrolíferas terem anunciado o encerramento de postos devido à dificuldade em abastecê-los, problema que atribuíram à falta de camionistas para conduzir os tanques desde as refinarias. Formaram-se filas junto a algumas bombas de gasolina e a polícia teve mesmo de intervir para controlar desacatos entre clientes.

Contado ninguém acredita, mas aconteceu em Londres e é fruto de uma opção política que ainda hoje é difícil de entender.

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