No comboio descendente

No dia 1 de janeiro de 2012, entrou em vigor o Plano Estratégico de Transportes do governo de coligação PSD-CDS, que definiu o corte de 622,7 quilómetros de ferrovia, o que representava, na altura, 18% da rede ferroviária portuguesa. Com os cortes adicionais desse plano, Portugal perdeu mais de 40% da sua linha de caminhos-de-ferro.

A juntar a isto, o relatório da Infraestruturas de Portugal relativo a 2016 dizia que quase 60% da linhas de caminho-de-ferro tinham classificação de "medíocre" e "mau".

Após anos de desinvestimento, a ferrovia portuguesa perdeu em tudo e não parece haver luz ao fundo do túnel para que se invista mais e para que possa ser melhorada e modernizada.

A falta de investimento público é, aliás, um dos maiores problemas que enfrentamos. Sente-se na saúde, na educação, na cultura, e os transportes não são exceção. Piora a nossa vida coletiva todos os dias. Torna a nossa democracia mais pobre todos os dias.

Esta trágica realidade agravou-se com o governo que mais reduziu o investimento público na história da nossa democracia, o governo que apoiaram os dirigentes do CDS que decidiram fazer uma viagem na Linha de Cascais para denunciar o abandono da ferrovia. O CDS esteve no governo que, durante quatro anos, cortou financiamento nos transportes e deixou ao abandono a manutenção do que existia. O mesmo governo que eliminou quase 20% do total da linha existente. Uma das prioridades para o investimento necessário é a de minorar os estragos causados pelo governo PSD-CDS. O CDS foi e é parte do problema, uma fotografia não apaga a memória.

Todas as semanas ando de comboio. Atrasos, problemas de circulação, falta de material circulante, pagamento de bilhetes para comboios de circulação rápida que se convertem em trajetos feitos em comboios regionais ou urbanos sem que uma explicação seja dada. E há pessoas que dependem dos transportes ferroviários para o seu quotidiano, para quem estes problemas se multiplicam ao longo de semanas, meses, anos.

Ainda há pouco tempo, a Comissão Europeia rejeitou o projeto de modernização da linha Aveiro-Vilar Formoso. Esses 700 milhões de euros deveriam ser reencaminhados para a modernização de outras linhas e de outros projetos ferroviários.

O atual governo não tem uma estratégia de investimento público e a ferrovia é um dos mais dramáticos exemplos disso mesmo. Esse é, provavelmente, o mais inquietante vazio da política dos últimos anos. Agora, que responsáveis do governo anterior apareçam em público a lavar as mãos do problema que temos e que ajudaram a provocar só pode ser piada de mau gosto. O comboio que os dirigentes do CDS apanharam ainda lá está porque o governo anterior não teve tempo suficiente para o privatizar ou acabar com ele.

Tem sido isto o CDS desta legislatura: um crescendo de descaramento. Já os vimos falar das pensões que congelaram anos a fio, dos salários que cortaram a eito, do serviço nacional de saúde e dos impostos que aumentaram historicamente. De tudo o que andaram a fazer no tempo em que não andavam de comboio. Só os paravam.

Eurodeputada do BE

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Nuno Artur Silva

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