Deco confirma luz mais barata em 2019

Regulador e elétricas garantiram descidas nos tarifários de eletricidade neste ano. A Deco já fez as contas e constatou que em alguns dos casos as promessas não foram cumpridas. E algumas empresas até subiram preços.

A maioria das famílias ainda estão a receber faturas com os consumos e preços de 2018, mas a Deco garante que os novos tarifários já atualizados nos simuladores confirmam que as contas da luz serão mais baixas em 2019. Sobretudo na potência contratada de 3,45 kVA (2,8 milhões de lares), que marca o limite máximo para usufruir da queda na taxa de IVA de 23 % para 6% a partir de abril.

"Na Galp, Goldenergy e EDP houve uma descida dos preços em linha com os do mercado regulado, na ordem dos 3,5%, para os 3,45kVA. Noutras potências mais elevadas, há maiores desvios", disse Pedro Silva, especialista em energia da Deco. Em dezembro, a ERSE anunciou uma variação tarifária média de 3,5% para o mercado regulado, seguida de promessas de descidas por parte dos maiores operadores do mercado livre: a EDP falou em preços 3,5% mais baixos, a Goldenergy apontou para descontos de 4% e a Endesa foi a que prometeu maior poupança, de 6,3%. A tabela de preços da Galp para 2019 reflete uma descida média de 2,6% a partir de 1 de janeiro e a Iberdrola garante para este ano "menos 10% no valor final da fatura".

De acordo com as comparações já feitas pela Deco (entre os preços dos dias 31 de dezembro e 25 de janeiro), confirmam-se algumas destas promessas anunciadas (EDP Serviço Universal, EDP Comercial e Galp), mas outras claramente não. "Os 6,3% de desconto anunciados pela Endesa não se verificam, de todo", referiu Pedro Silva. Já sobre a Iberdrola, a Deco garante que à data ainda não tinha atualizado no simulador da ERSE os preços para o novo ano, não sendo possível confirmar os menos 10% prometidos. Fonte oficial da ERSE disse ao DN/Dinheiro Vivo que "todos os comercializadores, à exceção de um, já enviaram informação atualizada para este ano".

Quanto à Endesa, fonte oficial da ERSE diz que a empresa "já enviou uma atualização do stock de ofertas [os novos power packs], a vigorar entre 16 de janeiro e 31 de janeiro, mantendo os preços em vigor e prolongando a data da sua publicação até 1 de fevereiro". Ou seja, o regulador espera assim uma atualização dos tarifários da empresa para novas adesões a partir de fevereiro. A Deco fala de "um reposicionamento de ofertas" da Endesa com os descontos nos valores adicionais dos tarifários power packs, na tarifa mais baixa, na ordem de apenas 1% (menos um cêntimo por cada Kwh consumido).

Contactada pelo DN/Dinheiro Vivo para disponibilizar simulações com as variações de preços entre 2018 e 2019, fonte oficial da Endesa limitou-se a repetir que "6,3% é a descida média da fatura da nossa carteira e os tarifários da Endesa estão disponíveis e atualizados no simulador da ERSE". A Iberdrola também não enviou simulações, com fonte oficial a informar que "um cliente residencial Iberdrola passa, neste ano de 2019, a pagar, em média, menos 10% no valor final da fatura de eletricidade, resultado da transferência integral da redução da tarifa de acesso às redes publicada pela ERSE para 2019".

ERSE, EDP Comercial, Galp e Goldenergy mostram simulações próprias e variações de preços que não andam longe das contas da Deco: menos 3,8% a 4% no mercado regulado; menos 3,5% na EDP (que abrange 90% dos clientes da empresa, que têm uma potência contratada de 3,45 kVA e tarifa simples); menos 3,6% na Goldenergy (que anunciou uma descida média de 4%, que incidirá sobretudo nos clientes com o tarifário 20+20, ou seja, mais de 94% dos clientes) e menos 1,8% na Galp (cuja descida média anunciada é de 2,6%).

Comercializadores mais pequenos subiram preços, em vez de descer

Pedro Silva alerta, no entanto, para uma importante mudança no mercado liberalizado que está a preocupar a defesa do consumidor: "Registámos que algumas empresas subiram os preços entre 1% e 3%, em média, em vez de descer, como é o caso da Energia Simples e da Luzboa, por exemplo, que não refletiram a baixa das tarifas de acesso." De acordo com o especialista da Deco, isto mostra que as empresas mais pequenas estão a perder competitividade e já não são as mais baratas, como no passado.

"Muitas delas têm já preços em mercado liberalizado superiores à tarifa regulada. As tarifas mais baixas destas empresas são as que estão equiparadas ao mercado regulado. Não deveria ser assim. Deviam apresentar tarifas próprias mais competitivas. O mercado está com condições muito apertadas pela pressão dos preços no mercado grossista e também por pressões regulatórias", explica Pedro Silva, admitindo também que os preços para a tarifa bi-horária em 2019 não desceram tanto como para a simples, outra tendência de um mercado em rápida mudança.

De acordo com o simulador da ERSE, e excluindo todos os tarifários que incluem descontos em parceria com entidades terceiras (Continente, ACP, etc.), para os 3,45 kVA e um consumo anual de 1900 kWh, os preços mais baixos neste momento são os da Goldenergy e da Galp Online (457 euros por ano), abaixo do preço regulado (476,31 euros). Já o tarifário mais barato da EDP (sem parcerias, com débito direto e fatura eletrónica), refere a Deco, "fica 40 cêntimos acima da tarifa regulada", nos 476,75 cêntimos. E, se a Endesa não atualizar entretanto os preços, "os clientes também estarão a pagar acima do preço regulado", conclui.

Outra tendência para 2019, diz Pedro Silva, prende-se com o facto de as empresas de energia estarem a ser muito mais cautelosas perante a volatilidade dos preços do mercado grossista e a apresentar campanhas e tarifários que vigoram durante prazos mais curtos. "Neste momento, os prazos das tarifas anunciadas estão para finais de janeiro e princípios de fevereiro. Vão ser revistos em fevereiro. Resta saber se serão mais caros ou mais baratos." Em última análise, remata o responsável da Deco, podemos ter em 2019 as elétricas a apresentar novas ofertas de preços todos os meses.

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