Uma viagem histórica que devemos abraçar

O PSD continua a adotar a política do cata-vento e do imediato. Incapaz de pensar num plano mais alargado - o do interesse dos portugueses - gira conforme o vento do populismo e do mediatismo. Está a especializar-se em posições circulares, daquelas em que nada é claro, em que um "sim" pode significar não só o acordo, mas também o seu contrário. O que verdadeiramente lhe interessa é o desgaste da ação governativa, sem que pareça ser-lhe imputável o prejuízo e o atraso que advenham desse bloqueio. Pelo meio, quer devolver o país à incerteza.

O "vota-abaixo" ziguezagueante já se notou no posicionamento acerca da contagem do tempo de serviço dos professores, do IVA da luz, da suspensão da linha circular do metro de Lisboa. Ficou agora mais claro na questão do aeroporto. Depois de há dez anos ter recorrido à diabolização do investimento público e de ter adotado o Montijo, mostra-se agora indisponível para o enquadramento prático e administrativo da solução por si proposta, afirmando ao mesmo tempo que está, claro, a favor da mesma. O PSD ilustra a coerência da biruta e da manga de vento (nem sei se ainda existem) usados no aeroporto para medir o vento...

Que ninguém se esqueça dos tempos que vivemos. Os cidadãos estão (ainda bem) atentos à ação governativa e a todo o universo da política e da democracia representativa. Como vamos encará-los se não alcançarmos, pelo diálogo, consensos alargados em questões fundamentais? Uma situação assim até lembraria a frase do sketch humorístico: "Eles falam, falam..." Que resposta darão aos portugueses aqueles que dificultam a concretização da opção do Montijo? Impor mais tempo de espera é insustentável e irresponsável. Sabendo que se trata de um investimento bom para os portugueses e sabendo que este é o tempo de decidir pelo desenvolvimento, arranjar um problema para cada solução, por estratégia eleitoralista, é um mau serviço ao país.

A nível regional, a extensão do aeroporto de Lisboa para o Montijo traduz o maior investimento de sempre na península de Setúbal. Com dez mil novos postos de trabalho previstos, a península tem agora a oportunidade de se impor como interface logístico, económico, cultural e turístico de excelência no quadro da Área Metropolitana de Lisboa. Salvaguardadas as 160 medidas de mitigação do impacto ambiental que a APA prevê, o que vão dizer aos seus munícipes os autarcas que se manifestarem contra? A península de Setúbal não pode continuar a sofrer com a tradição imobilista e antiprogressista da maioria das suas autarquias das últimas décadas. Portugal não pode ficar em terra, no contínuo estudar de soluções. A bem de todos e, neste caso, literalmente, o que é preciso é mesmo levantar voo.
Deputada do PS

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