Premium Brexit ou a crónica de um conflito adiado

Voto ao acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia no Parlamento britânico foi cancelado no início de dezembro e reagendado para 14 de janeiro.

O Brexit é um confronto adiado, desde sempre entre os britânicos e a União Europeia a que pertencem desde que nela entraram em 1973 (faz 45 anos no dia 1 de janeiro). E entre os britânicos a nível interno, dentro dos próprios partidos, dentro do seu próprio Parlamento. A tensão sobre a saída do Reino Unido da UE, que deve acontecer a 29 de março, está só adormecida durante esta quadra festiva. Promete regressar em força no dia 9, quando os deputados voltarem a debater na câmara dos Comuns o acordo sobre o Brexit, fechado entre Londres e os restantes 27. Atingindo o seu auge no dia 14, quando for a votação pelos parlamentares. Isto se não voltar a ser adiada a votação - como já o foi a 11 de dezembro por decisão da primeira-ministra Theresa May.

A grande sobrevivente política de 2018, May, líder do Partido Conservador, adiou a votação do acordo por suspeitar de que não iria conseguir fazê-lo passar no Parlamento do Reino Unido. Isto porque uma série de deputados conservadores rebeldes, da ala eurocética mais dura do partido, ameaçavam votar ao lado da oposição contra o mesmo. Embaraçando May. A primeira-ministra foi em seguida alvo de uma moção de desconfiança por parte do seu próprio partido. A qual venceu. Por 200 a seu favor. Mas 117 contra si. Um número que apesar de tudo não é de descurar. Assim, segundo as regras internas do partido, May não pode ser contestada como líder dos conservadores nos próximos 12 meses. Mas isso não é razão para respirar de alívio. Pressionada por todos os lados, May voltou a Bruxelas para pedir aos líderes da UE mais concessões em relação ao acordo, sobretudo no que respeita ao backstop (mecanismo de salvaguarda para impedir o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda). Ouviu que o acordo está fechado e regressou a casa de mãos a abanar. Embora não o admita. Tendo dito aos deputados que ainda está à espera de mais clarificações por parte dos seus parceiros europeus.

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