Um novo aeroporto de Lisboa sem perdas de tempo, nem possibilidade de vetos de última hora, mas idealmente com o acordo do PSD. Uma linha de alta-velocidade estendida da capital ao Porto e da Invicta a Vigo, lançada já amanhã. Um passaporte especial para trazer de fora quem não temos dentro e reocupar os 60 mil lugares que não voltaram a ser preenchidos após a grande fuga motivada pela pandemia e antecipar a substituição de mais de 58% dos que continuam no setor, mas se preparam para debandar porque (imagine-se!) é preciso trabalhar nos horários em que os outros descansam ou se divertem..Foi um verdadeiro mar de rosas que nos apresentaram neste Dia Mundial do Turismo, sem faltarem as grandes obras públicas financiadas com dinheiro europeu e a solução mágica para a falta de portugueses no país. Quem ouvisse o governo desmultiplicar-se em projetos e boas intenções, a abrir os cordões à bolsa como se tivessem desaparecido a dívida e o défice, que o têm aprisionado nos desejos para o amanhã, e a recessão, que já deprime a Alemanha, até nos acreditava um país rico, jovem e vibrante..Claro que se falou no futuro aeroporto, mas nada foi decidido até ao momento, senão proibir que outros proíbam a sua construção e decidir a data em que se deve ter alguma coisa mais ou menos decidida - volta, Pedro Nuno, estás perdoado!.E enquanto se recordava os 50 anos de adiamentos que, só em estudos, já custaram mais de 70 milhões de euros aos portugueses, empurrava-se suavemente a escolha para o final de 2023, aconselhando-se aqueles que se movem na atividade turística a dar uma hipótese a infraestruturas alternativas, enquanto o novo aeroporto não vê a luz do dia. É que a obra, essa, ainda há de levar mais uns bons anos, se Nossa Senhora de Fátima ajudar a que não haja derrapanços ou ideias brilhantes sobre localizações inovadoras que em meio século de estudos ninguém tinha vislumbrado..Mesmo que fosse possível ter uma nova infraestrutura a funcionar daqui a cinco anos (o cenário Portela +1), os impactos económicos deste compasso de espera serão no mínimo de 7 mil milhões de euros de potencial riqueza perdida, segundo um estudo da EY para a Confederação do Turismo. O que é que custa esperar mais um ano pela decisão?.Quanto à ferrovia, prioridade assumida numa Europa que luta contra o relógio e os estrangulamentos de Leste para transformar a sua mobilidade com soluções mais verdes, tem agora a oportunidade perfeita para avançar. E há de materializar-se de Lisboa para cima - o que não deixa de ser curioso, considerando a retórica do governo contra o abandono e a desertificação de regiões como o Alentejo -, num traçado que vamos conhecer hoje, um ano antes de tomada a decisão sobre onde ficará o novo aeroporto de Lisboa. Tudo normal..Valham-nos os imigrantes, que vão chegar às pazadas e salvar o Turismo em que cada vez menos portugueses querem trabalhar. Claro que ainda falta descobrir o que faremos para os integrar depois de passarem a fronteira ou, mais simplesmente, como vamos assegurar que têm casa e condições de vida dignas nas mesmas cidades que não conseguem garantir que os seus cidadãos tenham hoje onde morar. Mas isso havemos de descobrir depois de nos mostrarmos escandalizados com novas Odemiras, idealmente antes que eles descubram que aqui mesmo ao lado podem ter uma vida bem melhor..Não há dúvida de que o futuro do Turismo, de que Portugal tanto tem dependido para se manter à superfície e que todos os meses dá um belo rendimento aos cofres do Estado, se adivinha um verdadeiro mar de rosas. Valha-nos a força dos empresários, que o caminho adivinha-se mais espinhoso do que nunca..Subdiretora do Diário de Notícias