A governabilidade e o desafio de saber unir

Rui Rio é o novo líder do PSD. Deixa Paulo Rangel para trás, reforça a legitimidade e parte com uma forte dinâmica para as eleições legislativas antecipadas de 2022. O grande desafio do agora candidato a primeiro-ministro pelo PSD é, em primeiro lugar, saber unir o partido, lamber as feridas rapidamente e desvanecer divisões e, em segundo lugar, apresentar ideias novas, ambiciosas e concretizáveis para o país até 2030. Não menos importante, em terceiro lugar, apresentar aos portugueses, para dia 30 de janeiro, uma equipa sólida e credível - e é importante conhece os nomes de futuros ministros -, que deveria juntar personalidades das duas facões que estiveram ontem a disputar o poder nas diretas do PSD.

O líder agora eleito deverá ter a sabedoria de criar uma dream team e um modelo de governo que seja realmente diferente daquele que foi seguido até agora pelo PS, no caso de querer ser (mesmo) uma alternativa ao poder socialista no ativo.

Vale a pena recordar as duas moções - a de Rui Rio "Governar Portugal" e a de Paulo Rangel "Portugal: Ambição e Esperança" - onde os candidatos tinham alguns pontos em comum, mas era mais o que os separava do que aquilo que os unia. Ambos apostaram no tema do combate à corrupção como prioridade (Rangel até chegou a avançar com a ideia de uma agência anticorrupção) e bateram-se por políticas económicas para fazer crescer o país, com redução da carga fiscal e com subida dos salários. Na saúde, uma maior cooperação entre público e privado e na educação a prioridade anunciada foi a infância, temas que uniram os homens que se digladiaram este sábado.

A grande divergência esteve sempre presente quanto aos cenários futuros de formação de governo. Rio sempre defendeu o centro e manteve-se aberto a estabelecer o diálogo necessário com as forças políticas, incluindo com o PS e terá sido beneficiado por esse posicionamento, reduzindo um sério risco de ingovernabilidade. "Importa construir uma nova maioria sem linhas vermelhas, assente no diálogo e no compromisso, à esquerda ou à direita, cujo único limite será o da moderação, do respeito pelas instituições constitucionais e o superior interesse nacional", disse. E tinha anunciado que, se fosse reeleito, levaria à comissão política nacional a proposta de um acordo pré-eleitoral com o CDS para as legislativas. Mas na noite da vitória assumiu que quer vencer as legislativas e que "vai ganhar". Uma mensagem de confiança para as bases que o apoiaram nesta guerra laranja.

Paulo Rangel sempre vincou querer ser "alternativa" ao poder de Costa e que o PSD deveria apresentar-se em listas próprias às legislativas antecipadas e rejeitou um bloco central desde a primeira hora. O PSD não acreditou nesta "alternativa".

Até à última hora da contagem dos votos, a tensão esteva no ar - sobretudo nas cidades do Porto, onde Rio acompanhou os resultados num hotel, e de Lisboa, onde Rangel esperou, também numa sala de hotel, o veredicto dos 46 mil militantes. No final da noite, o Porto respirou de alívio e Rio mostrou grande resiliência.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG