"Há estrada para andar", exceto se cair o sinal vermelho

"Há vida além do curto prazo", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, esta semana. O Orçamento tem chumbo anunciado, mas a negociação não terminou, dizem o governo e os partidos de esquerda. "Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance" garantiu ontem António Costa no Parlamento. "Tudo faremos para obter um acordo, mas não a qualquer preço", avisou. "Pedem-nos um passo de mágica, mas não há passos de mágica que permitam" alcançar o que o PCP ambiciona. Costa assegura que no governo"não fazemos chantagens, ultimatos ou fechamos portas ao diálogo" e disponibiliza-se para na discussão na especialidade dar atenção às matérias pendentes ou extraorçamentais, como a legislação laboral. Resta saber se a mensagem é suficiente para conseguir viabilizar as contas do país para o próximo ano.

"Os portugueses não desejam uma crise, haja espírito de compromisso e nada justifica pormos termo à caminhada iniciada em 2016", argumenta o primeiro ministro. "Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar", rematou António Costa. "Ainda há estrada para andar."

Rio disse que "a "geringonça" não tem pernas para andar, está sentada numa cadeira de rodas", e que foi Costa "que decidiu acantonar-se à esquerda, ao contrário do que fez Mário Soares, que percebeu sempre as linhas vermelhas, ficou nas mãos do PCP e BE". E "agora vai ter de pescar à linha para aprovar o OE", porque "agora quem manda são eles".

Entre ontem e hoje vão registar-se cerca de uma dúzia de horas de debate, as posições extremaram-se e a discussão económica passou para o campo político. Primeiro, assistimos à teatralização, depois veio a dramatização e agora "a enorme frustração pessoal", nas palavras do primeiro-ministro.

Em resposta a João Cotrim de Figueiredo, deputado do Iniciativa Liberal, Costa reconhece que se a esquerda falhar na viabilização do OE 2022 isso será para ele "uma enorme frustação pessoal". "Desde o princípio que esta maioria tinha enorme potencial", afirma. Mas para Cotrim de Figueiredo "a "geringonça" morreu" - "por mim, paz à sua alma".

O que resta agora ao PS? Aceitar unir-se à direita? Costa já tinha dito que não. Terá revés essa posição? PSD, CDS, Iniciativa Liberal ou Chega acederiam a dar luz verde ao Orçamento do executivo socialista? Duvido. A menos que Rui Rio surpreenda e, quem sabe por dever de Estado ou para combater a esquerda, possa alterar a sua posição.

O PSD já se imaginava a fazer um passeio no parque quando, se dúvidas houvesse, António Costa declarou que não se demite no caso de o Orçamento ser chumbado hoje. E foi claro: "Não me demito. O meu dever não é virar as costas num momento de dificuldade, mas enfrentar as dificuldades, por isso eu não me demito", afirmou Costa. Sentido de Estado ou demasiado agarrado ao poder? Depende do ponto de vista ideológico. Ou o cenário de esticar a corda e clarificar posições, indo para eleições, vitimizando-se, já fazia parte da tática de Costa?

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