Exclusivo Era uma vez um país chamado Venezuela...

Gabriel García Márquez viveu dois anos em Caracas, era ele repórter. Foi pago por uma revista para contar a queda do ditador empreendedor Pérez Jiménez, em 1958, e o que se seguiu. O futuro nobel, por enquanto jornalista, pôs-se a escrever sobre "Caracas, a infeliz", como lhe chamou. Então, entre as autoestradas, os viadutos e os hotéis com piscinas aquecidas - cada obra, terceira, quarta ou quinta "maior do mundo" - e muita carência geral, García Márquez convocava para as suas reportagens as histórias de uma velha venezuelana, exilada de outra ditadura, que marcara a infância dele, no país vizinho, Colômbia.

A velha exilada narrara-lhe as fábulas e os contos infantis, mais ou menos iguais em todas as latitudes, integrando-os nas suas, dela, pátria e cidade. A Bela Adormecida perdia o sapato de cristal num hotel caribenho onde se tocavam boleros, o Capuchinho Vermelho era tentado, não pelo lobo mas por um ditador dos anos 1930, e assim por diante. E o facto é que esses contos e essas personagens reapareciam nas reportagens de García Márquez. Por exemplo, ratazanas mortas de sede pelo longo corte de água na infeliz Caracas. Como veem, penúrias e bens racionados na Venezuela não são só os dos noticiários atuais. Talvez sem efabular não seja possível contar aquele país.

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