Premium Cooptar o extremismo

Na véspera das terceiras legislativas em quatro anos, Espanha resume várias dinâmicas perigosas em curso no Ocidente. Estaremos condenados a reforçar esse fatalismo ou ainda há espaço para inverter alguns erros grosseiros e encostar o radicalismo às cordas?

Amais recente oferta de acordo pós-eleitoral que Pablo Casado estendeu ao Vox tem implícita uma constante e uma surpresa. A constante é que Casado prova em definitivo ter guinado o PP ao extremo da direita, quer na agressividade com que está nos debates, quer na agenda de costumes que recuperou, ou no desprezo que lhe mereceu a ala mais centrista que derrotou no partido, quer ainda no desdém que dedica a Albert Rivera. A surpresa pode estar no resultado do Vox, talvez subvalorizado nas sondagens nacionais, cuja real amplitude do seu alcance eleitoral possa estar na posse do líder do PP. Ao saber isso, Casado mostra antecipadamente abertura para um acordo de governo, tenta estancar a transferência de votos e, tranquilizando essa falange, apela ao voto útil.

O problema, porém, não está na tática, mas na estratégia. Uma das características destes tempos na Europa e nos EUA é partidos tradicionais de centro-direita, liberais-conservadores, a cooptarem uma grande parte da agenda das suas falanges internas mais radicais ou de partidos nacionalistas em ascensão e que povoam essa parte do espectro político. Com isso expõem uma dupla falência. Por um lado, mostram não ter uma agenda própria, mais um prego no caixão da avaliação popular que sobre eles cai e que tende a punir práticas e atores políticos mumificados no tempo. Por outro lado, transmitem uma clara noção de pânico em serem ultrapassados pelos protótipos originais. É isto que se tem passado, além do PP espanhol, com os Republicanos em França, a Forza Italia, o OVP austríaco ou os conservadores britânicos. A estratégia tem privilegiado os novos partidos da direita radical e punido aqueles que lhes tentam tocar. Veremos até quando esta tendência deixa Portugal de fora, porque sinais não faltam.

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