Premium Andaluzia: o laboratório do Vox

A região mais pobre de Espanha foi o palco perfeito no momento perfeito para o partido criado em finais de 2013 por militantes desencantados com a corrupção no PP e a inação diante dos independentismos. E foi o ponto de partida para a "reconquista".

As sondagens davam-lhe 6,8% das intenções de voto e na noite eleitoral conquistou 11%. A 2 de dezembro de 2018, a extrema-direita do Vox fazia história ao entrar para o Parlamento andaluz com 12 deputados (em 109). "A verdade é que foi muito surpreendente", contou ao DN o subdiretor do jornal Diario de Sevilla, Juan Manuel Marqués Perales, lembrando que, apesar de o Partido Popular (PP) não ser residual nesta comunidade autónoma, os socialistas governavam ali desde 1982. Um engano? "Fala-se muito que as pessoas não sabiam em que estavam a votar, mas acho que nestas eleições gerais, pelo menos na Andaluzia, o Vox vai ter um resultado semelhante. As pessoas não estão arrependidas", explicou. E uma coisa é certa: o partido liderado por Santiago Abascal vai chegar neste domingo ao Congresso espanhol.

O Vox garantiu na Andaluzia os votos necessários para afastar os socialistas de Susana Díaz, ao dar os seus votos no Parlamento à coligação liderada por Juan Manuel Moreno, do PP, com Juan Marín, do Ciudadanos, como seu número dois. Um "tripartido" que poderá repetir-se nos mesmos moldes no governo espanhol, se a direita conseguir uma maioria. "O Vox ainda não condicionou o governo andaluz. Ainda não há nada que se possa dizer: isto foi devido ao Vox", referiu Marqués Perales. "Mas a 1 de junho vota-se no Orçamento e acho que vai pedir a derrogação da lei da memória histórica e uma modificação da lei andaluza de violência de género como condição para o aprovar", acrescentou. Será essa a primeira prova de fogo do tripartido.

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Ferreira Fernandes

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