Carlos Seixas: "As nossas causas são a luta contra a xenofobia e a discriminação"

O Festival Músicas do Mundo regressa a Sines até dia 29 com mais de 30 concertos. O DN falou com o diretor Artístico e de Produção que lembrou que este é um evento de "descobertas".
Publicado a
Atualizado a

"Hoje, o festival ultrapassa fisicamente as fronteiras do Castelo e dar a descobrir é a sua filosofia", surge no site do evento como um lema. O que pretendem "dar a descobrir" este ano?
Vamos continuar a descobrir o que somos, enquanto pessoas com culturas e experiências diversificadas. Como em todos os anos, uma grande viagem pela música onde os géneros se cruzam, o norte e o sul, o oriente e o ocidente se aproximam e as periferias são colocadas no centro.

Como é que este festival encara a música?
No seu melhor, como uma forma de elevação do humano. Mais do que mero entretenimento, uma expressão de cultura e sabedoria universal. E como disse o Chico César em relação ao FMM, é sempre gratificante saber que há no mundo alguns lugares em que a Humanidade é celebrada como um todo.

De que forma se distingue dos restantes?
O FMM Sines não se posiciona por oposição aos outros festivais. Existe na integridade da sua visão. As causas da luta contra a xenofobia, a intolerância e a discriminação são-nos especialmente caras. Como o é a divulgação de músicas e artistas que têm menos espaço no circuito convencional da música ao vivo.

Qual é o balanço dos primeiros dias de festival que tiveram em Porto Covo?
Três dias com muito público, algumas surpresas e a vontade de continuar a viagem.

Quais são as expectativas para os próximos dias em Sines?
Aumentar o ritmo e chegarmos ao dia 29 mais ricos, com a música que se celebrou e com os amigos que se fez ou reencontrou.

Fale-nos um pouco sobre as iniciativas paralelas?
As iniciativas paralelas são uma forma de abrir o FMM a outras artes, de aumentar a sua presença nas ruas e na paisagem de Sines, de envolver as crianças e as famílias, de conhecer os bastidores do festival. São pertença de um FMM mais íntimo e tranquilo, mas igualmente estimulante.

Durante estes dias o que é que o público consegue absorver do local (Sines)?
O festival decorre nos centros históricos, com o mar à vista e em contacto com as populações locais. Não é um festival hermético, isolado do lugar ou da comunidade onde se insere. Está profundamente enraizado neles.

Durante o ano, como é feita a preparação do festival?
No que diz respeito ao contacto com os artistas, a programação da edição seguinte começa ainda antes da atual começar. Na preparação da logística, envolve os serviços municipais, de todos os setores, durante muitos meses.

Destaca algo do programa?
Este ano destaca-se a forte programação africana, particularmente dos países onde se fala português. Quando nos aproximamos das comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril de 1974, é importante dar espaço à música dos países que ganharam a independência com a revolução e lembrar a luta anticolonial. Como África Negra, Ghorwane, Os Tubarões, Super Mama Djombo, entre outros. Vamos ter história viva nos palcos do festival. Destacar o trabalho dos artistas em palco é uma competência do público.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt