The history book on the shelf is always repeating itself

Um país produtor de petróleo, rico em recursos naturais, tinha tudo para dar certo. Petróleo, esclareça-se, nas mãos do Estado, para evitar a delapidação por privados de uma riqueza que é de todos.

Tinha tudo para dar certo, dizia eu, porque petróleo é petróleo, é dinheiro em caixa, e com muito dinheiro pode um Estado erigir um modelo social de invejar.

Tinha tudo para dar certo, repito-me, porque nem euro, nem tratados, nem défices se aplicam naquele lado do mundo, podendo um governo ser, como por cá diz o PCP, patriótico e de esquerda, sem amarras.

Tinha tudo para dar certo, insisto, porque os setores estratégicos, os ativos nacionais, estavam todos nas mãos do Estado, para evitar, como por cá diz o BE, a venda do país aos interesses estrangeiros.

Tinha tudo para dar certo, continuo, porque os salários mínimos subiram sem parar, dando aos mais pobres mais dinheiro, que o dinheiro aparece quando o Estado o imprime, como tanta esquerda defende.

Tinha tudo para dar certo, tinha, porque os empresários não podiam vender as coisas aos preços que lhes apetecia, porque o Estado os tabelava para evitar usuras, de acordo com as linhas mestras de políticas de esquerda.

Tinha tudo para dar certo, evidentemente, porque a economia se foi nacionalizando, impedindo-a de estar nas mãos de quem só pensa na sua vida e no seu dinheiro e nos seus luxos, garantindo-se o interesse público.

Tudo tinha de dar certo, porque quem tinha mais pagava muito mais, que o dinheiro tem de se ir buscar onde ele está e não é possível que haja tantos ricos quando há tantos pobres.

Segundo as políticas socialistas de esquerda, a Venezuela tinha tudo para dar certo, ainda para mais com petróleo.

Mas não deu e a Venezuela acabou a importar petróleo. Não deu certo ali nem em lado algum do mundo onde estas políticas foram tentadas. Sempre, mas sempre, que foram postas em prática, estas políticas deram em miséria e fome. E, claro, depois do desespero da fome, a revolta, a revolução, a rua.

Como cantavam os ABBA na Eurovisão em 1974, the history book on the shelf is always repeating itself.

A questão é, pois, porquê insistir nisto, nestas receitas para o desastre?

Por que razão se esquece tudo isso sempre que algum bem-intencionado se propõe levá-las à prática, que desta vez é que é, que desta vez vai correr tudo bem?

Por que razão se inventam pretextos e contextos para justificar o fracasso, sempre com o antiamericanismo como pano de fundo, seja Obama ou Trump o presidente?

Estamos a falar de falências sucessivas e flagrantes.

Felizmente são ideias de esquerda. Se fossem de direita, e com o lastro de miséria e fome e morte que deixam atrás de si, já por cá tinham sido declaradas inconstitucionais.

Advogado e vice-presidente do CDS

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