Premium Silêncio e preconceito

Portugal tem uma tradição humanista e solidária invejável que está ilustrada, aliás, no nosso percurso artístico, cultural e democrático. O papel histórico de interface de civilizações conferiu-nos o elã de interlocutor privilegiado de culturas e o laço afetivo com a nossa vasta diáspora fomentou em nós a ideia de que, quem espera tolerância, tem necessariamente de praticá-la. A isto juntámos Abril e os valores da liberdade, plasmados numa Constituição assente na dignidade social e na igualdade. Por si só, no entanto, a ideia enraizada dos nossos "brandos costumes" poderá acarretar o perigo de nos esquecermos de averiguar ciclicamente se a sua brandura ainda perdura.

Só alguém abstraído do contexto global dará a democracia e a igualdade por garantidas. Não é preciso sair do espaço lusófono para perceber isso. Bolsonaro, que já em campanha tinha prometido acabar com o "coitadismo", ao referir-se a minorias, deixou clara a promessa, no seu primeiro discurso oficial, de combater a "ideologia de género". É cada vez mais frequente o ataque à democracia pelo deturpar da reivindicação dos direitos das minorias. Infelizmente, há quem atribua um certo cariz de "luta por privilégio" ao ato da reivindicação justa, querendo silenciá-la. Convém afirmar, alto e de viva voz, que o direito à igualdade e à dignidade social nunca será um privilégio, mas sim um direito em absoluto. É excessiva esta afirmação? Creio que não. A discriminação e o racismo alimentam-se mesmo é de silêncio.

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