FC Porto-Sporting. As dez histórias dos jogos que deram títulos

Os dois clubes disputam neste sábado uma final inédita na Taça da Liga. Os dragões procuram o primeiro troféu na prova, os leões querem revalidar o título. Ao longo da história, desde 1934-35, foram oito finais e dois jogos que decidiram campeonatos, quase sempre marcados pelo equilíbrio mas com ligeira vantagem para o Sporting.

1934-35. O clássico que valeu o primeiro título de campeão ao FC Porto

Na primeira edição do Campeonato da Liga, na temporada 1934-35, a questão da atribuição do título de campeão nacional ficou marcada para a última jornada. Sporting e FC Porto chegaram ao jogo decisivo separados por dois pontos, com vantagem para os portistas, e os leões a precisarem de vencer com dois golos de diferença para levantarem o troféu. No velhinho estádio do Campo Grande, em Lisboa, um golo de Ferdinando deu esperanças aos verde e brancos. Mas antes do intervalo, Carlos Nunes fez o empate e, logo a abrir o segundo tempo, Lopes Carneiro deu vantagem aos dragões. Manuel Soeiro ainda igualou o jogo perto do final, mas o empate a dois golos foi suficiente para os portistas se sagrarem campeões nacionais. O treinador dos dragões era o húngaro Joseph Szabo, que também orientou o Sporting e o Sp. Braga. A primeira Liga Experimental era disputada num sistema de todos contra todos, a duas voltas, com oito equipas.

1977-78. Leões vencem Taça no ano da quebra do jejum portista

A primeira final da Taça de Portugal que opôs o FC Porto ao Sporting teve de ser decidida com recurso a uma finalíssima. A 17 de junho de 1978, em Alvalade, as duas equipas acabaram o jogo (após prolongamento) empatadas a um golo, com a curiosidade de o marcador ter funcionado em apenas dois minutos. O defesa brasileiro Paulo Meneses marcou aos 48" para os leões; Fernando Gomes igualou a partida no minuto a seguir a favor dos portistas, na altura eram orientados por José Maria Pedroto. Uma semana depois, outra vez em Alvalade, a equipa do Sporting, treinada por Rodrigues Dias, bateu o rival por 2-1, com golos de Vítor Gomes e Manuel Fernandes - Seninho marcou pelo FC Porto. Foi a 10.ª Taça de Portugal conquistada pelo emblema leonino, que impediu o FC Porto de chegar à sua quinta. Os dragões, contudo, tinham-se sagrado campeões nacionais dias antes, colocando termo a um jejum de 19 anos sem vencerem o campeonato.

1993-94. Taça manchada por pedras e garrafas

Nova decisão da Taça de Portugal entre dragões e leões, e novamente numa finalíssima, depois de um empate sem golos no primeiro jogo. O FC Porto saiu vencedor (2-1), graças a um penálti convertido por Aloísio no prolongamento, a desfazer o 1-1 que se registava no final do tempo regulamentar (golos de Rui Jorge e Vujacic). Mas o jogo ficou manchado por tristes episódios. No final da partida, os adeptos do Sporting atiraram pedras e garrafas na direção dos dragões, com Pinto da Costa a queixar-se das condições de segurança na "capital do Império". As cenas de violência prosseguiram quando a equipa do FC Porto subiu as escadarias escoltada pela polícia. Mais pedras e garrafas arremessadas na direção dos jogadores, com Manuela Ferreira Leite, ministra da Educação, a assistir a tudo. João Pinto, na qualidade de capitão, levantou a taça durante breves momentos ao mesmo tempo que choviam garrafas.

1994-1995. FC Porto campeão no dia da queda do varandim

Separados por seis pontos e a três jornadas do fim, numa altura em que a vitória valia apenas dois pontos, Sporting e FC Porto defrontaram-se em Alvalade a dia 7 de maio de 1995. Em caso de vitória, os dragões celebravam desde logo o título de campeão no campo do rival. Foi o célebre jogo marcado pela queda do varandim no Estádio José Alvalade, que vitimou dois adeptos do Sporting hora e meia antes do clássico durante a chegada do autocarro do FC Porto. Estranhamente o jogo não foi adiado, nem sequer foi cumprido um minuto de silêncio. Dentro do campo, Domingos Paciência apontou de penálti o golo (58") que permitiu aos dragões conquistarem o título de campeão. No final do jogo, os jogadores portistas celebraram no relvado com a camisola de Rui Filipe, jogador que morreu meses antes num acidente de viação e que tinha apontado o primeiro golo na caminha rumo ao pentacampeonato.

1994-1995. A Supertaça que foi decidida em Paris

Em agosto de 1995, Sporting e FC Porto começaram a época a discutir a Supertaça, jogo que põe frente a frente o vencedor do campeonato e da Taça da temporada anterior. Na altura, o troféu era decidido a duas mãos, no campo de cada uma das equipas. Em Alvalade registou-se um empate sem golos. Nas Antas nova igualdade a dois golos (Domingos bisou pelos dragões, Naybet e Ouattara marcaram pelos leões). Com tudo empatado, foi preciso recorrer a uma finalíssima, que só se disputou... oito meses depois. E em Paris, no Parque dos Príncipes. Desta vez o equilíbrio entre as duas não se verificou. E o Sporting de Octávio Machado bateu o FC Porto de Bobby Robson por 3-0, com golos de Sá Pinto, a figura do jogo ao apontar dois golos (9" e 39") e Carlos Xavier.

1999-2000. Uma Taça para o engenheiro do penta

Para não variar nos confrontos entre as duas equipas em jogos decisivos, a Taça de Portugal da época 1999-2000 também teve de ser decidida com recurso a uma finalíssima. No dia 21 de maio de 2000, no Jamor, os dois rivais chegaram ao final do prolongamento empatados a um golo (Jardel marcou pelos dragões e Pedro Barbosa pelos leões). A igualdade obrigou a novo jogo quatro dias depois - no mesmo palco, o Estádio Nacional. E aqui o FC Porto treinado por Fernando Santos (o engenheiro do Penta) foi mais forte do que o Sporting de Augusto Inácio. Clayton deu vantagem aos azuis e brancos ao minuto 47. E na segunda parte, aos 74 minutos, Deco deu a estocada final no leão, batendo Peter Schmeichel pela segunda vez. Foi a 10.ª Taça de Portugal da história do FC Porto... curiosamente numa época em que o Sporting se sagrou campeão nacional pondo ponto final a 18 anos sem vencer o título.

1999-2000. Penálti de Acosta em mais uma finalíssima

O Sporting, como vencedor do campeonato, e o FC Porto, como detentor da Taça de Portugal, discutiram a Supertaça Cândido de Oliveira. E foi novamente preciso uma finalíssima para encontrar o vencedor. A primeira mão, nas Antas, em agosto de 2000, terminou com um empate a uma bola (Alenitchev e Acosta). O segundo jogo, em Alvalade, em janeiro de 2001, terminou sem golos. A finalíssima foi adiada para o final da época (16 de maio de 2001) e disputada no Municipal de Coimbra. O Sporting, que tinha Manuel Fernandes como treinador, venceu por 1-0, golo de Beto Acosta aos 31 minutos, de grande penalidade, numa partida que ficou marcada pelas expulsões de dois defesas centrais - Jorge Costa, do FC Porto, e Beto, do Sporting. Esta foi a última edição da competição disputada a duas mãos.

2007-08. A bomba de Izmailov e três bolas nos ferros

O Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, recebeu a 11 agosto de 2007 mais um clássico do futebol português. Frente a frente estiveram o FC Porto de Jesualdo Ferreira e o Sporting de Paulo Bento. Os leões venceram e conquistaram a sexta Supertaça do seu historial, graças a um grande golo do russo Marat Izmailov, que com um remate de meia distância não deu hipóteses ao guarda-redes Helton. O campeão nacional queixou-se da sorte no final do jogo, pois os dragões atiraram três bolas aos ferros. Os leões reeditaram os triunfos alcançados na competição nas edições de 1995 e 2000 - e nas três vezes que defrontaram o FC Porto saíram vencedores.

2007-08. O dia em que o improvável Tiuí foi protagonista

Depois de terem despachado o Benfica (na altura orientado interinamente por Fernando Chalana) nas meias-finais, com um triunfo categórico por 5-3 em Alvalade, num jogo em que Yannick Djaló bisou, o Sporting encontrou na final da Taça o FC Porto, que havia eliminado o V. Setúbal. Num novo frente-a-frente entre Paulo Bento e Jesualdo Ferreira, o antigo jogador de Benfica e Sporting voltou a levar a melhor, batendo o rival por 2-0 num jogo que só foi decidido no prolongamento. Com os dragões reduzidos a dez jogadores, por expulsão de João Paulo aos 71 minutos, os leões superiorizaram-se no tempo extra... com um trunfo saído do banco. O brasileiro Rodrigo Tiuí, que tinha entrado aos 90", vestiu a pele de arma secreta e apontou os dois golos da vitória (111" e 117") sem hipótese para o guarda-redes Nuno Espírito Santo.

2008-09. A noite mágica de Djaló no Algarve

A 16 de agosto de 2008, os dois rivais voltaram a medir forças na decisão de uma Supertaça, outra vez em campo neutro, no Estádio do Algarve, sob a orientação do árbitro Carlos Xistra. Uma noite em cheio para Yannick Djaló, o grande herói deste jogo ao marcar os dois golos do Sporting treinado por Paulo Bento. O primeiro a corresponder na área a uma brilhante assistência de Romagnoli, o segundo a beneficiar de um erro defensivo de Sapunaru. Aos 57 minutos os leões já venciam por 2-0. O FC Porto ainda teve uma oportunidade para reduzir, mas Rui Patrício defendeu uma grande penalidade cobrada por Lucho González. Foi a sétima Supertaça Cândido de Oliveira conquistada pelo Sporting, que, pela primeira vez, conseguiu revalidar o troféu, que tinha ganho na época anterior, igualmente contra o FC Porto.

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