Dar ferramentas aos professores para escrutínio dos media

Jornalistas e académicos vão formar professores em tempos de notícias falsas. Iniciativa chegará a 40 escolas e a milhares de alunos.

Num tempo em que os media - e mais ainda as notícias falsas - estão à distância de um simples telemóvel na mão, o Ministério da Educação (ME) e o Sindicato dos Jornalistas (SJ) avançam com uma iniciativa inédita de formação de professores na área dos media, que é apresentada neste sábado.

"As fake news já estão a criar sérios desafios às democracias", reconhece ao DN o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, acrescentando que "é fundamental que todos nós, cidadãos, consigamos lidar com este fenómeno, no sentido de reafirmarmos valores basilares como a liberdade e a igualdade".

Para as duas instituições, quando "temáticas como as fake news estão na ordem do dia e em que o poder das redes sociais emerge, é urgente formar cidadãos informados, conscientes e participativos para o futuro coletivo, com o cada vez maior desenvolvimento de competências - de professores e, por conseguinte, de alunos - nestas matérias de consumo informado e crítico dos conteúdos difundidos pelos meios de comunicação social".

Para já, avança um projeto-piloto que chegará a 40 escolas de Faro, Évora, Lisboa, Águeda e Porto - representando as cinco regiões educativas do continente - que tem como objetivo "capacitar os professores" do 3.º ciclo e do ensino secundário "para o desenvolvimento de atividades de educação para os media".

O ministro da Educação espera ver este projeto alargado, numa fase posterior, a todo o país. "Esperemos que sim, mas isso também depende do projeto-piloto", admitiu ao DN.

A formação em causa, garantida por profissionais do setor, destes professores já ligados a projetos de media nas escolas, ou professores bibliotecários, vai também envolver "alunos e outros membros das comunidades educativas", contando com uma componente teórica e também prática, onde "serão desenvolvidas atividades de literacia dos media" e que chegarão a "milhares de alunos ao longo da formação".

Um dos pontos da formação passa de facto pela discussão dos "géneros jornalísticos e a hibridização de géneros no jornalismo digital", pela "desinformação"; em que se incluem "notícias" falsas, "factos" alternativos, numa "era da pós-verdade" e o que significa a leitura e o consumo de notícias na atualidade, também pelas redes sociais, vídeos e telemóveis.

A "democratização da informação e o exercício da cidadania" são outras áreas da formação, pretendendo dar ferramentas aos professores para a "análise das competências de cultura democrática" e a "formação de públicos ativos e críticos em relação à informação".

A longo prazo, o projeto pretende envolver os jornalistas "na formação de professores e alunos sobre os desafios de hoje em dia e escrutinar a realidade".

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