Companhias aéreas reduzem voos, mas aguentam rotas no inverno

As transportadoras procuram adaptar as operações à forte quebra da procura, diminuindo o número de frequências e de lugares disponíveis. Os planos de voos inverno estão marcados pela possibilidade de contínuas revisões.

A maioria das companhias aéreas a operar em Portugal vai reduzir a partir deste domingo (25 de outubro) o número de voos, mas não prevê suspender rotas. Com o início da época de inverno da aviação, que se estende até 27 de março, as transportadoras procuram segurar o negócio, apesar da pandemia e das consequentes restrições nas viagens impostas por vários governos no mundo. A estratégia, que segue a linha do que sucedeu no verão devido à crise sanitária, não está imune ao vírus e, por isso, está sujeita a possíveis ajustamentos de acordo com a evolução do surto.

Neste cenário brumoso, o plano da TAP está a ser "construído de modo dinâmico e com grandes preocupações de rentabilidade", com base no desenvolvimento dos indicadores da pandemia e dos seus impactos operacionais, "pelo que a lista de rotas e voos disponíveis será ajustada sempre que as circunstâncias o exijam", adianta fonte oficial. A transportadora portuguesa, que se encontra em processo de reestruturação, diz ainda que o planeamento da sua rede e retoma da operação assenta nas "oportunidades de procura detetadas e rentabilidade das rotas, tendo em vista a sustentabilidade da empresa".

A Lufthansa vai assegurar 60% das frequências no inverno face ao ano anterior, mantendo as rotas "semelhantes" às que explorava antes da pandemia nos aeroportos portugueses. A companhia alemã, que tinha previsto lançar uma ligação entre Genebra-Ponta Delgada no verão e que acabou por suspender devido ao surto, reconhece que até agora a operação foi negativamente impactada em Portugal. Mas, ainda assim, quer manter a operação e assegurar a mobilidade dos clientes. Para isso, somou às medidas de higiene e proteção nos aeroportos e a bordo a obrigatoriedade da realização de testes. Os aeroportos na Alemanha estão preparados para efetuar testes rápidos gratuitos a quem quiser entrar no país.

Já a Transavia determinou que vai operar com 22 rotas neste inverno distribuídas pelos aeroportos do Porto, Lisboa, Faro e Funchal, mais uma do que na mesma época do exercício anterior. A companhia low cost arrancou com uma ligação entre Lisboa e Montpellier em junho e decidiu manter essa linha, mesmo em tempo de pandemia. Já as frequências dos voos e o número de lugares disponíveis "permanecem sujeitos à evolução da situação sanitária", adverte Nicolas Henin, diretor-geral adjunto. A Transavia "está a operar apenas cerca de 40% da capacidade prevista na sua rede, mas este número é superior nas rotas portuguesas, que foram um pouco menos impactadas pela crise", frisa. Segundo revela, "ao longo do verão, as rotas de/para Portugal foram das mais resilientes na rede da Transavia".

O grupo Air France-KLM "ajustou fortemente a sua oferta para este inverno IATA 2020/21 devido à crise da covid-19" e Portugal não é exceção. Segundo fonte da companhia, a oferta nos aeroportos portugueses será inferior à do ano passado em termos de lugares por quilómetro, mas as rotas aumentam para cinco, após a abertura no verão da ligação Faro-Paris, que se manterá. Mas o grau de incerteza é elevado e o grupo reconhece estar a rever as ofertas "mês a mês". Ainda assim, a Air France-KLM "espera manter a sua presença em três aeroportos nacionais (Lisboa, Porto e Faro) ao longo de todo o inverno".

A Ryanair também já fez saber que vai reduzir a capacidade de 60% para 40% neste inverno face ao ano anterior, esperando manter até 65% a rede de rotas, mas menos frequências. A Delta Air Airlines anunciou que só retoma o voo direto Lisboa-Nova Iorque no verão do próximo ano.

Este é o pior ano da história da aviação comercial. A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla em inglês) já reviu em baixa as previsões do tráfego para este ano, apontando agora para uma quebra de 66% face a 2019, quando previa uma descida de 63%, devido a uma recuperação mais fraca do que esperado do movimento de passageiros no verão.

Sónia Santos Pereira é jornalista do Dinheiro Vivo

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