A frase, eufónica e muito citada, é dita pela personagem Blanche DuBois na peça de teatro Um Eléctrico Chamado Desejo, de Tennessee Williams, e no filme homónimo realizado por Elia Kazan: sempre dependi da bondade de estranhos..Vem isto a propósito dos bairros, das cidades e dos países, dos estranhos que lá moram e da bondade que praticam ou que negam. De Portugal ainda se vai enaltecendo a virtude - as direcções dadas com sorrisos e abundância de detalhes, as explicações demoradas sobre a história do país e o significado da palavra saudade, uma boleia até à praia ou ao multibanco mais próximo. Mas já foi mais. Em Lisboa e no Porto começa a faltar a paciência para indicar a fábrica dos pastéis ou a Livraria Lello, e entende-se o cansaço. Para que não nos tornemos monstros antipáticos, snobs do turismo ou, deus nos livre, parisienses, proponho uma estratégia de sobrevivência, que é a de trocarmos um favor por outro e pedirmos aos turistas que nos digam algo de relevante sobre as terras de onde vêm. "A Torre de Belém? Com certeza, mas diga-me, qual é a melhor pizzeria de Manchester?".A bondade, mesmo a de estranhos, é mais bonita se for recíproca..Escritor