Premium Movimento das sardinhas vs. Salvini no teste eleitoral ao governo italiano

O líder populista quer derrubar a coligação do Movimento 5 Estrelas com o Partido Democrático com uma vitória histórica na região de Emilia-Romagna. Mas não contava com a oposição de um movimento nascido há três meses nas redes sociais.

Para Matteo Salvini parece valer tudo em campanha eleitoral, inclusive passar por cima dos direitos das pessoas e criar um incidente diplomático. Em Bolonha, acompanhado de câmaras de televisão, o ex-ministro do Interior toca à campainha de um prédio de apartamentos. "Boa noite, alguns moradores disseram-nos uma coisa desagradável. Disseram-nos que a origem de algumas das drogas que estão a ser vendidas no bairro é sua. Isto é verdade ou mentira?", perguntou o líder da Liga na terça-feira à noite. Já sem ninguém do outro lado do intercomunicador, prosseguiu: "Ele é tunisino? Qual deles é o traficante de droga, o filho ou o pai?"

Que efeitos eleitorais poderá trazer a fanfarronice é uma incógnita. O certo é que o jovem de 17 anos em questão veio desmentir as acusações e disse ao Corriere della Sera que vai avançar com uma queixa na justiça. O embaixador da Tunísia em Roma, Moez Sinaoui, lamentou a "provocação deplorável" e a "conduta embaraçosa de um senador da República", que "difamou injustamente uma família tunisina".

À partida seriam apenas mais umas eleições regionais e somente em duas das 20 regiões de Itália. Mas o momento é tudo: de um lado está a coligação de direita e extrema-direita de Matteo Salvini a ameaçar uma vitória histórica em Emilia-Romagna e do outro um movimento cívico que está a combater nas ruas o extremismo do líder da Liga. E pelo meio o Movimento 5 Estrelas a viver a sua maior crise, com a demissão do líder Luigi Di Maio a dias do escrutínio. O primeiro-ministro desmente que o resultado das eleições regionais decida a continuidade do governo, mas não falta quem garanta o contrário.

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