25 de agosto de 1988. O dia em que ficaram só as paredes do velho Chiado

"Só restam paredes do velho Chiado", escreveu o Diário de Notícias há exatamente 30 anos, depois do trágico incêndio na histórica Lisboa. O alarme soou por volta das cinco da madrugada e foram precisos 1200 homens para o combater. Recorde este evento trágico através do arquivo fotográfico do DN e amanhã, numa edição especial do caderno 1864.

O Chiado, em Lisboa, acordou há 30 anos com um incêndio que mudou para sempre aquela zona e o modo como se combatem fogos, mas os acessos aos bairros históricos da capital continuam a dificultar o trabalho dos bombeiros.

Na madrugada de 25 de agosto de 1988, um incêndio deflagrou nos extintos armazéns Grandella, no Chiado, destruiu 18 edifícios, vários dos quais históricos, provocou mais de 50 feridos e duas vítimas mortais - um bombeiro e um residente -, desalojou cinco famílias, num total de 21 pessoas, deixou duas mil desempregadas e ganhou lugar na memória coletiva como uma das piores catástrofes que assolaram a capital portuguesa.

As chamas deflagraram por volta das 03:30, foram dominadas pelas 11:00 e dadas como extintas pelas 16:00. Consumiram quase oito hectares - o equivalente a oito campos de futebol - daquela zona histórica da cidade. As causas nunca foram estabelecidas.

O incêndio chegou a ter seis frentes e foi combatido por mais de 1500 operacionais. No terreno estiveram ainda elementos da PSP, da Polícia Judiciária e de empresas de distribuição de eletricidade e de gás.

A ausência do então presidente da Câmara de Lisboa, Nuno Krus Abecassis, que se encontrava de férias, foi criticada na altura, mas uma das principais polémicas foi a presença de floreiras na Rua do Carmo, que impediram a entrada de carros de bombeiros.

As autoridades recearam que o incêndio se propagasse à Baixa da cidade, tendo o autarca Pedro Feist (que na altura era vereador, mas assumiu a presidência da Câmara de Lisboa na ausência de Nuno Krus Abecassis) mandado "retirar todos os processos que considerava importantes" dos Paços do Concelho.

Depois do incêndio, os bombeiros continuaram no local durante cerca de dois meses, na remoção de escombros.

Foi durante esse tempo que se depararam com uma vítima mortal, um eletricista reformado do Arsenal da Marinha com cerca de 70 anos.

A outra vítima mortal foi Joaquim Ramos, um bombeiro de 31 anos, que foi atingido por uma língua de fogo e gases muito quentes enquanto combatia as chamas na Rua do Carmo, tendo ficado com 85% do corpo queimado.

O incêndio causou vários feridos - mais de cinquenta - entre bombeiros (outros dois estiveram internados por vários dias no Hospital de Curry Cabral) e agentes de segurança com fraturas e queimaduras "mais ligeiras".

O combate às chamas mudou bastante nos últimos 30 anos, desde a organização do teatro de operações, aos postos de comando e aos próprios meios.

No entanto, e 30 anos depois do incêndio do Chiado, a acessibilidade continua a ser o maior inimigo dos bombeiros: os bairros antigos, as ruas cheias de trânsito e o estacionamento caótico.

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