O milagre da 200.ª vitória na Europa que mantém o Benfica na luta

Os encarnados venceram o Lyon na Luz por 2-1, num jogo em que fizeram uma segunda parte sofrível. Os primeiros três pontos na Liga dos Campeões foram alcançados graças a um brinde de Anthony Lopes, que ofereceu a Pizzi um golo em que já poucos acreditavam.

O Benfica continua vivo na Liga dos Campeões, depois de vencer o Lyon nesta quarta-feira por 2-1. Um triunfo arrancado a ferros, depois de uma exibição sofrível da equipa de Bruno Lage, que acabou por ter a sorte do seu lado quando a quatro minutos do fim o guarda-redes Anthony Lopes ofereceu a Pizzi o golo que calou os assobios e colocou o Estádio da Luz em festa. Um autêntico milagre.

Os encarnados conquistaram a 200.ª vitória nas provas da UEFA e os primeiros pontos no grupo G da Champions, que mantém a equipa na discussão do apuramento para os oitavos-de-final, com menos três pontos do que o líder RB Leipzig, que venceu por 2-1 o Zenit, equipa que partilha o segundo lugar com o Lyon, ambos com quatro pontos. A luta continua a ser a quatro...

Rafa marca e lesiona-se

O treinador do Benfica surpreendeu para esta partida ao lançar no jogo Rafa Silva ao lado de Seferovic na frente atacante, deixando Pizzi no banco de suplentes, optando por colocar Gedson Fernandes à direita e Franco Cervi à esquerda. Bruno Lage procurava aproveitar a mobilidade e a velocidade dos seus homens da frente para surpreender o adversário e a verdade é que a estratégia deu frutos logo aos quatro minutos, quando Cervi libertou Rafa do lado direito, que rematou para o primeiro golo da partida.

(Veja aqui o golo de Rafa)

Para uma equipa com falta de confiança na Champions, não havia melhor começo do jogo do que este. O jogo ficou depois mais repartido, embora com o Lyon a assumir o controlo da partida, com o Benfica a procurar surpreender com transições rápidas. Só que a estratégia encarnada sofreu um duro golpe quando Rafa Silva se lesionou, acabando por ser rendido por Pizzi.

Os encarnados perdiam a sua "gazela" na frente, mas mantinham a coesão como equipa, apesar de os franceses ameaçarem algumas vezes a baliza de Vlachodimos, embora só por uma vez tenha estado perto do empate, valendo então um grande corte de Grimaldo. Contudo, até ao intervalo, Seferovic perdeu uma excelente oportunidade para aumentar a vantagem, mas rematou a bola para a bancada.

Apesar de o Lyon se mostrar sempre perigoso, a verdade é que o jogo estava de feição para o Benfica, desde que conseguisse melhorar as transições ofensivas para conseguir criar mais ocasiões de golo na segunda parte. Só que o que se viu após o intervalo foi um Lyon mais agressivo e mais rápido nas suas movimentações ofensivas, mas também na recuperação defensiva, o que provocou um autêntico colapso dos encarnados, que não conseguiam ligar os passes, muitas vezes por precipitação.

Cornet à esquerda e sobretudo Depay à direita foram criando situações sucessivas para chegar ao empate, que foi sendo adiado, primeiro graças a um corte de Rúben Dias a remate de Tousart e depois por uma intervenção de Ferro, que desviou uma bola de Cornet para a barra. A equipa de Bruno Lage entrava em desespero, tendo em conta que a baliza francesa estava muito longe...

Franceses dominadores e brinde de Lopes

Dava a ideia de que a equipa precisava de alguém no meio-campo para segurar a bola e que fosse mais criterioso nos passes. E esse jogador podia muito bem ser Taarabt, mas o treinador benfiquista, que já tinha substituído Seferovic por Carlos Vinícius, só tinha mais uma alteração para fazer e preferiu esperar. Esperou tanto que o Lyon empatou num belo golo de Memphis Depay, a cruzamento de Dubois. Os gauleses chegavam justamente ao empate e logo a seguir até tiveram mais duas boas oportunidades. Tinham tudo para dar a volta ao marcador, tal era o domínio que exerciam e a incapacidade dos campeões nacionais.

(Veja aqui o golo de Depay)

Bruno Lage lançou então Raúl de Tomás para o lugar de Cervi, numa daquelas substituições já em desespero. Até que aos 86 minutos, Pizzi aproveitou o espaço concedido já perto da área do Lyon para rematar, em jeito, ao poste. No lance seguinte, o internacional português Anthony Lopes repôs a bola diretamente para os pés de Pizzi, que rematou de primeira e fez o golo da vitória já quando ninguém acreditava.

(Veja aqui o golo de Pizzi)

Até ao final, assistiu-se ao cerrar fileiras do Benfica, que garantiu um triunfo tão ansiado mas que só fará sentido se a equipa de Bruno Lage der seguimento em França a esta aproximação aos lugares de apuramento para os oitavos-de-final. Contudo, para isso é preciso ser mais consistente, ter mais capacidade de ter a bola e controlar o jogo. Nesta quarta-feira, valeu a eficácia máxima, pois em dois remates à baliza os campeões nacionais fizeram dois golos.

Só merece o destaque por causa dos últimos minutos, em que rematou uma bola ao poste e marcou o golo que deu um triunfo em que poucos já acreditavam. De resto, este jogo confirmou o período de menor forma daquele que tem sido um dos jogadores mais importantes do Benfica nas últimas épocas, pois esteve demasiado errático no passe e nas decisões que tomou. Ainda assim, Pizzi fez o seu primeiro golo numa fase de grupos da Liga dos Campeões e confirmou-se como o melhor marcador da equipa nesta época, com 11 remates certeiros.

FICHA DO JOGO
Estádio da Luz (53 035 espetadores)
Árbitro: Ivan Kruzliak (Eslováquia)

Benfica - Vlachodimos; Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo; Gedson Fernandes, Florentino Luís, Gabriel, Franco Cervi (Raúl de Tomás, 78'); Rafa Silva (Pizzi, 20'), Seferovic (Carlos Vinícius, 59')
Treinador: Bruno Lage

Lyon - Anthony Lopes; Leo Dubois, Marcelo, Jason Denayer, Youssouf Koné; Martin Terrier (Thiago Mendes, 56'), Lucas Tousart, Houssem Aouar (Reine-Adélaïde, 88'); Maxwell Cornet (Bertrand Traoré,66'), Moussa Dembélé, Memphis Depay
Treinador: Rudi Garcia

Cartão amarelo a Marcelo (10'), Moussa Dembélé (26'), Youssouf Koné (38'), Pizzi (42'), Gedson Fernandes (59')

Golo: 1-0, Rafa Silva (4'); 1-1, Memphis Depay (70'); 2-1, Pizzi (86')

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