Premium Aprenda a fazer uma cópia de todos os dados que a Google tem sobre si

Cópias de segurança (backups) é algo que os utilizadores não devem fazer só nos computadores, nos serviços online também é importante.

A Google é uma das empresas de tecnologia mais influentes da atualidade. Ao longo dos últimos anos foi lançando vários serviços que se tornaram sucessos instantâneos entre os utilizadores de internet. A Google não é só o motor de busca: é também o Gmail, o navegador Chrome, o armazenamento naCloud Drive e o sistema operativo Android.

Esta preponderância da Google em diferentes aspetos que influenciam a vida das pessoas levanta uma questão pertinente: se de um dia para o outro, por algum motivo, os serviços da Google não estiverem disponíveis, teria uma cópia dos seus dados para precaver uma perda de informação massiva?

Há alternativas aos principais serviços da Google - pode vê-las aqui -, mas ter um backup dos dados é uma regra de ouro para quem tem a sua vida muito digitalizada. Isto é válido tanto para o que tem guardado no seu computador como para o que tem espalhado por vários serviços da internet.

A Google disponibiliza uma ferramenta a partir da qual o utilizador pode fazer o download desta informação - na prática, vai fazer uma cópia de todos os dados que a Google tem sobre si. O sistema também funciona como uma medida de transparência da tecnológica para com os utilizadores, para que todos saibam que informações são depois usadas na criação de serviços e publicidade mais personalizados.

Fazer um backup em dois minutos

Para fazer um backup dos seus dados só precisa de ir até ao siteGoogle Takeout. Aí vai poder escolher em concreto as informações que quer guardar - são 50 os serviços pelos quais pode optar. Se preferir também pode apenas guardar os dados relativos a um serviço específico - como o Gmail, por exemplo.

Depois de selecionados os dados, o utilizador só precisa de escolher a forma como quer receber essa informação. Em primeiro lugar diz se quer um ficheiro comprimido nos formatos .zip ou .tgz. De seguida deve escolher o tamanho máximo dos ficheiros - a informação pode ficar partida em blocos de 1GB, 2GB, 4GB, 10GB ou 50GB.

O terceiro e último passo é escolher como vai ser feito o envio dessa informação: pode ser um link a partir do qual vai ser feito o download ou então os dados são diretamente enviados para uma plataforma de armazenamento, como o Dropbox.

Uma nota final: dependendo do número de serviços que usa da Google e da frequência com que o faz, a tecnológica diz que o envio das informações pode variar entre algumas horas a alguns dias. Assim que estiver acessível, o utilizador tem uma semana para fazer o ​​​​​​​download da informação.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".