Boom imobiliário leva Alentejo e centro a baterem recordes na venda de casas

Valor das transações de imóveis atingiu o máximo de sempre no terceiro trimestre. Vendas aumentam fora das principais regiões.

Os preços das casas continuam a subir e o valor de vendas atingiu um recorde. Os dados do terceiro trimestre deste ano colocam 2019 na rota para ser o melhor de sempre em receitas de vendas de habitações. Dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) revelam ainda outro indicador: o boom no setor imobiliário português alastrou ao Alentejo e à região centro. Ambas as regiões bateram máximos de sempre em vendas de casas, tanto em valor como em número de transações. A região centro registou vendas de 850 milhões de euros, um máximo histórico, enquanto o Alentejo teve vendas de 260 milhões, o que também é um recorde.

Com os preços a subir, o setor aquece em mais regiões. A região norte também teve o melhor trimestre de sempre em vendas, com transações num total de 1,5 mil milhões de euros. A Área Metropolitana de Lisboa, a região norte e o Algarve perderam quota na venda de casas para aquelas regiões, pelo terceiro trimestre consecutivo.

"Os dados relativos ao terceiro trimestre indicam que o mercado imobiliário continua resiliente e que o processo de abrandamento da atividade deste mercado está a ser mais lento do que o previsto. Assim, continuamos confortáveis com a nossa atual previsão de que os preços das casas aumentarão 9,3% em 2019", admite Teresa Gil Pinheiro, economista do BPI, numa análise divulgada ontem sobre os dados do INE. O banco adianta que "tendo por base os dados do terceiro trimestre esta previsão possa vir a sofrer algum ajuste em alta".

Índice de preços em máximos

O Índice de Preços da Habitação do INE aumentou 10,3% entre julho e setembro, face a igual período do ano passado. O aumento ficou acima das previsões de analistas, incluindo do BPI, que estimava um aumento de 9,7%. Face ao trimestre anterior, a subida dos preços foi de 1,2%, menos 0,2 pontos percentuais do que a subida registada no segundo trimestre, em cadeia.

A forte subida dos preços registada entre julho e setembro elevou a taxa média anual em 0,5 pontos percentuais para 9,8%. "A aceleração dos preços das habitações existentes foi o que mais contribuiu para o crescimento mais forte dos preços", destaca o BPI.

O terceiro trimestre foi também o melhor de sempre em termos de receita da venda de casas, que atingiu 6,5 mil milhões de euros. Entre o início do ano e o final de setembro a venda de casas soma 18,6 mil milhões de euros, mais 4,3% do que em igual período de 2018.

Segundo os dados do INE, foram vendidas mais casas no terceiro trimestre do que nos dois trimestres anteriores. Mas foram vendidas menos 105 habitações do que no mesmo período do ano passado. Ao todo, foram transacionadas no terceiro trimestre 45 830 habitações. Elevam-se assim para
132 246 as casas vendidas neste ano, até setembro, menos 24 do que no período homólogo. "A redução nas transações refletiu a contração das vendas de novas habitações em 2,5%; as transações de habitações existentes aumentaram 0,2% homólogo", explica o BPI.

Incerteza para 2020

Em média, o valor de venda subiu para 141 mil euros, face a 136 mil euros no terceiro trimestre de 2018.

"Em termos homólogos temos sentido um ligeiro abrandamento no número de transações efetuadas, que se justifica essencialmente pela diminuição do stock existente. No entanto, no que diz respeito a valores de transações, verificamos um aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, que demonstra que os valores de venda têm vindo a crescer", afirmou Luís Lima, presidente da APEMIP - Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, citado num comunicado.

Para o presidente da APEMIP, é difícil prever o comportamento do mercado para o ano que se aproxima. "É expectável que o mercado sinta uma estabilização ou uma ligeira quebra no número de transações imobiliárias. No entanto, é difícil prever o seu comportamento, uma vez que é extremamente complexo monitorizar um mercado onde há fortes desequilíbrios entre a oferta e a procura. Neste caso, a oferta existente não é suficiente para dar resposta às necessidades da procura, que tem vindo a crescer, não só no mercado de compra e venda como no mercado de arrendamento", indicou.

A economista do BPI prevê que, em 2020, "o ritmo de crescimento dos preços irá ser mais moderado, refletindo o incremento da construção residencial, o efeito de uma possível desaceleração do setor do turismo e tendo em conta a incerteza da envolvente externa".

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