Companheiros de jornal

A minha amiga Isabel tem um companheiro de jornal. Passo a explicar: aos domingos, lá pelas dez, a Isabel vai até ao café onde já está o senhor Custódio a ler as últimas páginas. Ela senta-se na mesa ao lado, pede um galão e um palmier, e espera que ele dê a leitura por concluída. Logo surge a pergunta do costume, "Quer ler, Isabel?", e sim, quer. À medida que ela passa das páginas nacionais para as notícias do mundo, a política, a cultura e o desporto, o senhor Custódio vai partilhando as opiniões que acabou de formar, "é uma vergonha, não acha, Isabel? Estão a gozar com a gente...", ou o Sporting, ou uma tragédia num país distante.

Leem a meias, discutem, negoceiam divergências. A Isabel é nova e o senhor Custódio é velhote, ela de esquerda e ele de direita, mas é assim que fazem, e não se dão nada mal.

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DN Life. «Não se trata o cancro ou as bactérias só com a mente. Eles estão a borrifar-se para o placebo»

O efeito placebo continua a gerar discussão entre a comunidade científica e médica. Um novo estudo sugere que há traços de personalidade mais suscetíveis de reagir com sucesso ao referido efeito. O reumatologista José António Pereira da Silva discorda da necessidade de definir personalidades favoráveis ao placebo e vai mais longe ao afirmar que "não há qualquer hipótese ética de usar o efeito placebo abertamente".