Companheiros de jornal

A minha amiga Isabel tem um companheiro de jornal. Passo a explicar: aos domingos, lá pelas dez, a Isabel vai até ao café onde já está o senhor Custódio a ler as últimas páginas. Ela senta-se na mesa ao lado, pede um galão e um palmier, e espera que ele dê a leitura por concluída. Logo surge a pergunta do costume, "Quer ler, Isabel?", e sim, quer. À medida que ela passa das páginas nacionais para as notícias do mundo, a política, a cultura e o desporto, o senhor Custódio vai partilhando as opiniões que acabou de formar, "é uma vergonha, não acha, Isabel? Estão a gozar com a gente...", ou o Sporting, ou uma tragédia num país distante.

Leem a meias, discutem, negoceiam divergências. A Isabel é nova e o senhor Custódio é velhote, ela de esquerda e ele de direita, mas é assim que fazem, e não se dão nada mal.

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Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).