O desemprego que já não se segura

E assim começa. Com a entrada do novo ano de mão dada com mais um confinamento, ainda mais duro e prolongado do que o primeiro, e sem que o rolo compressor das limitações geradas pelos sucessivos estados de emergência tivesse chegado verdadeiramente a sair de cima das empresas e das famílias, a realidade começou a transbordar. Torna-se cada vez mais visível nos intervalos dos apoios que vão chegando ao fim ou sendo reinventados mas que nunca chegam para aplacar a totalidade dos efeitos da crise.

Todos os ajustes que cofres recheados e boa vontade europeia pudessem continuar a garantir já não são suficientes para conter o fluxo de quebras, a iminência de falências e desemprego.

Os números de fevereiro revelados ontem pelo IEFP são bem reveladores do pesadelo que nos espera. Se o total de desempregados está a aproximar-se do meio milhão de portugueses - são bem mais, na realidade, se a estes somarmos os que são afastados do bolo por estarem em formações, por terem desistido de procurar emprego, por estarem sem estudar ou trabalhar... -, os subsídios já só chegam a perto de metade desses que perderam os seus meios de subsistência. Uma realidade que já afeta quase 7 mil famílias em que marido e mulher ficaram sem trabalho. Some-se a estes os que perderam rendimentos no último ano - porque ficaram sem o segundo emprego, porque deixou de ser preciso reforços de época, porque viram reduzir-se as horas de trabalho, por via do lay-off, porque viviam de biscates e trabalho ocasional... - e os que ainda vão perder salários ou mesmo o emprego quando as empresas não conseguirem reabrir ou manter-se a funcionar com uma retoma que se arrastará ao sabor da reabertura de fronteiras, dos atrasos na imunização, das novas vagas da covid. E está lançada a receita para o desastre.

Instituições como a Cáritas ou o Banco Alimentar já revelam a chegada à sua porta de cada vez mais famílias que até aqui nem sequer sabiam como se pedia ajuda. Com o adiamento das dívidas de crédito bancário a chegar ao fim em uma semana, o que vai acontecer às famílias que não conseguirem cumprir os pagamentos?

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