Taça. Os festejos podem esperar, a vida não

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Afinal da Taça de Portugal, esta noite, será um ponto alto do calendário futebolístico. Espera-se, a bem de todos, que a nação benfiquista ou bracarense tenha maior consciência e respeito pelos outros do que uma parte da nação sportinguista revelou ter. É que os casos de contágio por covid-19 estão a subir na capital e arredores, refletindo já a concentração de pessoas em redor do Estádio de Alvalade no dia em que os leões foram campeões nacionais. O espírito dos adeptos esta noite deve honrar o esforço que os portugueses têm feito ao longo de mais de um ano, passando por vários e dolorosos confinamentos, na tentativa de conter a pandemia.

À beira do verão e da retoma do turismo, bem como de outras atividades relacionadas com comércio e serviços, é fundamental que não se deite tudo a perder. O boletim da DGS revelou ontem que ninguém morreu em 24 horas, mas, no entanto, o número de pessoas infetadas está lentamente a aumentar. Foram registados 523 novos casos de infeção em Portugal de sexta para sábado (mais do que o número de pessoas dadas como recuperadas, 482). Estavam internadas 210 pessoas (mais três do que no dia anterior), das quais 59 em unidades de cuidados intensivos (mais quatro do que na véspera). Geograficamente, 196 das novas infeções foram em Lisboa e Vale do Tejo.

Festejos e multidões como aqueles a que assistimos em Alvalade estão agora a dar tristes resultados. Ainda que tenhamos cerca de 30% da população vacinada em Portugal, nunca é demais lembrar que se tudo correr bem, e se as vacinas chegarem, só no dia 8 de agosto poderemos alcançar 70% da população com pelo menos uma dose, conforme fez saber este sábado o vice-almirante Gouveia e Melo, durante uma deslocação a Leiria. Quanto à almejada imunidade de grupo, o responsável notou que esta questão é uma discussão ainda científica. "Neste momento, não se sabe quanto a este vírus se a pessoa que está imunizada pode ou não ser transportadora do vírus. Se não for transportadora, significa que atingimos a imunidade de grupo e o vírus começa a morrer na comunidade", explicou. O vice-almirante disse, sobre este assunto, que "os primeiros dados vêm de Israel, que já tem uma grande população imunizada", e são animadores, "no sentido em que, realmente, uma pessoa imunizada e protegida não é um transportador do vírus". Contudo, nada está confirmado a 100%.

Trabalhar na incerteza vai ser o traço comum ao longo dos próximos longos meses. Por isso não é tempo de baixar a guarda. Os adeptos do futebol têm o resto da vida para brindar e comemorar. Agora é ainda tempo de salvar vidas e evitar mortes.

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