Premium Três anos após referendo, Brexit a um passo de ficar nas mãos de Boris Johnson

Foi um dos rostos da campanha em junho de 2016, mas ficou fora da corrida a líder dos tories. Agora é o favorito e diz que quer sair da UE a 31 de outubro, com ou sem acordo.

"A pessoa que nos meteu nesta confusão será responsável por nos tirar dela. Temo que isto não vá correr bem", escrevia nesta quinta-feira no Twitter John Springford, subdiretor do Centro para a Reforma Europeia (CER, na sigla inglesa), um think tank britânico pró-europeu. A pessoa a que se referia era Boris Johnson, que foi um dos rostos do referendo do Brexit e é apontado como favorito à vitória na corrida à liderança do Partido Conservador - e consequentemente a assumir a chefia do governo britânico. O adversário é o chefe da diplomacia, Jeremy Hunt, e o resultado será conhecido, se não houver surpresas, em finais de julho.

A 23 de junho de 2016, os britânicos foram às urnas desafiados pelo então primeiro-ministro David Cameron. O conservador queria cumprir uma promessa de campanha e acalmar a ala mais à direita do partido, confiante de que venceria sem problemas o referendo e o Reino Unido continuaria na União Europeia (UE). Mas as contas saíram goradas e, nas urnas, 51,9% dos eleitores optaram pelo Brexit (48,1% votaram para remain, isto é, para ficar). Cameron demitiu-se na sequência da derrota, deixando a porta aberta para Theresa May, que apesar de ter votado contra o Brexit assumiu a tarefa de o conseguir.

Três anos depois, está ela própria à beira da saída, sem ter conseguido cumprir o objetivo, aguardando só o resultado da corrida à liderança dos tories para entregar a chave do número 10 de Downing Street. Springford, numa entrevista telefónica com o DN, explicou que foram três os seus erros, começando desde logo por "não ter conseguido construir um consenso interpartidário para o Brexit ainda antes de começar as negociações com Bruxelas". May acionou o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, que pôs a andar o calendário de saída, a 29 de março de 2017, quase um ano depois do referendo, sem que houvesse uma posição comum da parte dos britânicos em relação ao que queriam conseguir das negociações.

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